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19 setembro 2013

Da necessidade de desabafar: Before Midnight



É, eu tô cansada, com sono e tenho que acordar cedinho amanhã pra trabalhar. No entanto, preciso desse desabafo pra conseguir dormir de verdade. Acabei de chegar da sessão de Antes da Meia-Noite (Before Midnight). 

O filme é de uma beleza arrepiante. Em todos os aspectos. 
É, gente, apesar de não ser tão adepta dos romances e suas variações, sou uma completa apaixonada pelos Befores.

Lembro quando assisti Antes do Amanhecer (1995), por indicação de um colega de muito bom gosto cinematográfico. Já me afeiçoei completamente com os personagens, o ambiente, os diálogos, percebendo claramente que se tratava de um dos filhos de Woody Allen. Mais do que uma influência, a trilogia mais me parece uma Ode ao diretor novaiorquino, mais especificamente a Annie Hall



Logo em seguida, me veio Antes do Pôr-do-Sol (2004). Esse foi, realmente arrebatador. O filme é um longo diálogo, que mostra os jovens românticos de "Sunrise" já amadurecidos, revelando o desfecho daquele primeiro encontro, passados dez anos. É uma Celine (Julie Delpy) e um Jesse (Ethan Hawke) já não tão românticos, absorvidos pela rotina diária e um tanto quanto desgastados no amor. Inclusive, essa Celine muito me é familiar (gosta de tirar um som no seu violão, apenas pra si e é fã de Nina Simone). 

Agora, os já completamente deslumbrados com os Before foram presenteados com o retorno de Celine e Jesse, passados mais dez anos. E, amigos, vê-los na telona (no meu caso, pela primeira vez), foi uma experiência estonteante. O cinema é mesmo mágico. Eu, que não sou das mais sensíveis em filmes de amor, nem mesmo com os mais fortes dramas, me emocionei, de chorar mesmo, com a simples visão deste casal dez anos mais velho, no cinema. Com uma vida construída, com novas crises e diálogos novamente geniais. Jesse, o quarentão com jeito de adolescente e Celine, a quarentona bem sucedida, independente, metida a feminista, com crises especialmente agoniantes ao espectador. 



Segue o roteiro de praxe, por meio de um diálogo entre o casal, agora acerca de uma nova fase da vida, tendo como plano de fundo uma paisagem belíssima, que acompanha o ritmo e até a sensação de cada assunto. 

Não posso deixar de expor uma cena maravilhosa, para mim a mais especial do filme, em que o diretor, que foi genial do início ao fim, junta em uma mesa de conversa sobre amor, sexo e relacionamento, casais de todas as gerações: dois senhores já viúvos, um homem e uma mulher casados há cerca de 15 anos, Céline e Jesse e um casal de namorados, em torno dos seus 22 anos. Neste momento, se discute sobre a evolução dos relacionamentos, nos quais o amor não é a prioridade, e sim a compreensão e a liberdade individual, expondo, ainda, o sexo "moderno". No entanto, o assunto é arrematado pela fala de uma idosa, viúva, que expõe, com toda sua experiência, um conceito de companheirismo e sentimento real que sobreviveu a todas as gerações. É de arrepiar. É pra levar pra vida. 

Além disso, vale ressaltar que neste filme, bem mais do que nos anteriores, ele apostou em uma comédia mais presente, na verdade em um melodrama pelo qual a lindíssima Julie Delpy se responsabilizou e fez maravilhosamente bem. 



Linklater (Escola do Rock) construiu uma trilogia da vida em tempo real. Talvez, de modo que ele mesmo tivesse respaldo, pela experiência adquirida, para poder escrever os diálogos sensacionais dos filmes. 

Gostaria de tê-los acompanhado como, acredito eu, o diretor/roteirista pretendia que todos acompanhassem. Aos 21, assistido Before Sunrise, momento de muita vontade de viver, de ter um grande amor. de se aventurar, de se arriscar. Aos 30, assistido Before Sunset, onde você conhece todas as demandas da vida, tem um emprego, nem sempre o que você sonhou, as contas e responsabilidades, uma esposa/marido, filhos, a realidade (não necessariamente cruel ou solitária, ainda, sem qualquer romance). E aos 40, assistido Before Midnight, momento de incertezas, no qual se pára e pensa: o quê que eu fiz da vida? A fase de se fazer um balanço, de refletir se o que você planejou aconteceu, assim como de perceber as enormes e difíceis escolhas que a vida te mostra. 

Confesso, e isso é bem pessoal, que aos 19, foi com a segunda Céline que me identifiquei. Em praticamente tudo. Mas digo aliviada que não cheguei à terceira Céline (espero que tenha muito chão pra andar!).

Enfim, estou ainda emocionada e desejo a todos a possibilidade de acompanhar essa trilogia e sentir tudo (e até mais) o que o último, Antes da meia-noite, me proporcionou. 

Desculpem o jeito rápido de escrever, o sono bateu de verdade. 

20 fevereiro 2013

Les Miserables (2012)

"Você ouve o que as pessoas cantam? 
Cantando o som dos homens raivosos?
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente!"




Victor Hugo fez obra para todas as gerações. Conhecer Os Miseráveis é perceber que os conceitos de justiça pouco mudaram com o passar dos tempos. O escritor, em uma de suas obras mais famosas, denuncia a situação de total miséria existente na França de 1815 a 1832, com uma superpopulação de pobres e marginalizados vivendo à mercê de uns poucos ricos detentores do poder. Nesse momento histórico, ser revolucionário era buscar o fim de um governo absolutista, que persistiu mesmo após a Revolução Francesa. E com escritos que ressaltavam a voz do povo, convocavam à mobilização popular e à revolução, ele fez sua obra, ainda tão presente nos dias atuais. Afinal, não é anacrônica a ideia de um homem passar anos preso por ter roubado um pão para alimentar a família.


Trazer tal obra para as novas gerações de uma forma comprometida não me parece tarefa fácil. Foi o que pretendeu fazer Tom Hooper (O Discurso do Rei). E, após dezenas de outras adaptações para o teatro, TV e cinema, o diretor faz uma versão de Os Miseráveis em musical. E que ganho de quem tem a oportunidade de ver tão rico roteiro nas telas do cinema. O diretor se utiliza bem da modernidade cinematográfica para fazer um épico, com belíssimos figurinos, um ar noturno, que remonta à uma época de pobreza, miséria e batalhas perdidas. Apesar de se utilizar de jovens atores, não perde a seriedade da trama. Mas vale dizer que também optou por dar mais leveza e otimismo a uma história tão trágica e denuncista. Tal leveza não é reprovável, mas demonstrou sua pouca preocupação com o marcante e relevante apego social da obra literária.
                                     




Jean Valjean (Hugh Jackman) está saindo da prisão, para liberdade condicional, após 19 anos se submetendo a trabalhos forçados por ter roubado um pão para dar pra sua irmã (a pena foi aumentada por inúmeras tentativas de fuga). Mas, em seu encalço, ficou o detentor maior da ordem e justiça, o inspetor Javert (Russel Crowe). Ao ser oprimido por todos, por ter o "carimbo" de ex-presidiário, não tem nem mesmo onde dormir. Após tantas andanças, conhece um piedoso bispo, que lhe oferece comida e abrigo. No entanto, tenta roubar as pratarias do senhor que lhe ajudou, e é preso e levado de volta ao religioso, que desmente o crime e diz que foi um presente. Após tal piedade, sua vida muda. Volta à cidade com outro nome, outra aparência, torna-se filantropo e empresário.

Em paralelo, nos é apresentada Fantine (Anne Hathaway), mãe solteira que trabalha para sustentar sua filha Cosette (Amanda Seyfried), após ser abandonada pelo pai da criança. Mas, de forma injusta, é demitida por ter uma filha bastarda e se vê obrigada a se prostituir para conseguir dinheiro para sobreviver e criá-la. Ao saber de tamanha miséria, assim como perceber que Fantine está a beira da morte, Valjean salva a mulher das ruas e lhe promete que cuidará da menina.



Ocorre que o ex-prisioneiro é obrigado a dedicar sua vida a fugir do seu inimigo, o inspetor obcecado em prendê-lo novamente. Simultaneamente à história de Valjean, Victor Hugo retratou a França insurgente, com Marius (Eddie Redmayne), de família nobre, mas que toma um caminho ideológico oposto. E a trama se desenvolve na França das barricadas de 1932, com Valjean enfrentando sua sina, Javert; Marius, lutando pela revolução e, simultaneamente, buscando reencontrar Corsette, por quem se apaixona perdidamente; o motim de 1932 e as trágicas e fatais barricadas da Rua Saint-Denis, dentre diversos outros personagens e enredos secundários que engrandecem a obra, como o de Éponine (Samantha Barks) e o do casal Thenardier (Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter).

O filme traz Hugh Jackman (X-Men) em, com toda certeza, sua melhor atuação, digna de premiação. Também, Anne Hathaway (O Diabo veste Prada) surpreendendo como Fantine, conseguindo transparecer todo o sofrimento e miséria que cabe à personagem. Destaque para I Dream a dream, momento marcante da trama, com sua interpretação que nada deixa a desejar. Mas vale, ainda, falar que Russel Crowe (Uma mente brilhante) decepciona, e muito!, em todo o filme, desde ao cantar com sua voz nada preparada pra um musical desse porte, quanto à total falta de expressão e empatia com os demais personagens. Ah, e pra dar um toque de comédia, vemos os explêndidos Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter, como o casal Thenardier, esbanjando afinidade e excelentes interpretações.



























Mas não posso deixar de alertar os futuros expectadores: o diretor pesou a mão no musical. É, esse gênero não é pra qualquer um. E longe de duvidar da competência de Hooper, mas, em vários momentos, a trama fica cansativa, devido a cenas cantadas, notadamente desnecessárias (digamos que 99% do filme foi musicado). E penso que isso fez o efeito contrário pretendido pelo diretor, que se utilizou de um elenco notável e hollywoodiano, o que atrairia um público vasto para conferir tamanho épico, afastou parte do seu público, tornando-se um filme voltado, no geral, a quem realmente gosta do gênero e/ou da obra literária.

Esse foi um filme que realmente dividiu opiniões, mas que, apesar de algumas escolhas erradas, possui cenas belíssimas, atuações impecáveis, canções emocionantes, assim como traz às novas gerações uma história fascinante, dotada de teor político e ideológico (pouco explorados na nova adaptação infelizmente) que sobreviveu a séculos e foi eternizada.

O filme foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway), Melhor Ator Principal (Hugh Jackman), Melhor Som, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Roteiro Original.

18 fevereiro 2013

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)



O que normalmente se espera de um filme, no qual Bradley Cooper (Se beber não case) e Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) são os protagonistas e que, no primeiro ato, apresenta dois personagens que estão passando por sérias crises pessoais, que se encontram, brigam, se apaixonam e ajudam um ao outro a superá-las? Provavelmente que é mais uma comédia romântica amontoada de clichês e previsibilidades.
O mais interessante de assistir O Lado bom da Vida é a surpresa que nos toma no desenrolar da trama, em cada nova sequência, nas quais o galã sai de cena e dá espaço a um homem transtornado, obsessivo e bipolar, advindo de uma interpretação super expressiva e comprometida que justifica bem a indicação ao Oscar de Melhor Ator a Cooper.
Dirigido por David O. Russel (The Fighter), a obra gira em torno de dramas pessoais decorrentes de relacionamentos amorosos que fracassaram, e desemboca em uma sequência bem humorada de encontros e tentativas de superação. Pat (Bradley Cooper) é um homem que, por volta dos seus trinta anos, encontrava-se internado em uma clínica psiquiátrica após ter uma crise agressiva ao flagrar sua esposa (e grande amor) o traindo em sua própria casa.


Após oito meses, volta ao convívio familiar, o qual se percebe de imediato que não é um ambiente nada popício à reabilitação. Neste momento, temos a excelente surpresa de ver Robert De Niro (Taxi Driver, Entrando Numa Fria), interpretando o pai, Sr. Pat Solitano, figura cheia obsessões, manias e demonstrações violentas, as quais, ao mesmo tempo que destacam a total instabilidade daquela família, dão uma dose de comédia, devido aos exageros. Tem lugar, ainda, a Sra. Dolores Solitano (Jacki Weaver), como a figura materna, passiva e esperançosa de que tudo irá voltar aos conformes. 

Ao retomar suas antigas amizades, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota que perdeu o marido de forma trágica e tem sérias dificuldades em superar tal fato, descontando seu desequilíbrio em sexo descompromissado e mudanças repentinas de humor. Vale destacar que a primeira demonstração de empatia entre o casal é em uma conversa bem humorada sobre os diferentes remédios psiquiátricos aos quais se submeteram, com a descrição dos seus respectivos efeitos.

Em um segundo momento, Tiffany, dotada de forte personalidade e certa agressividade, tem a iniciativa de se aproximar do rapaz, que a repele sob justificativa de que é casado e de que irá reconquistar sua esposa. Após insistentes perseguições, calorosas brigas e diálogos explosivos, ambos decidem se ajudar a superar o que tanto os consome e o que os exclui do convívio social.


David O. Russel decidiu por utilizar um drama pessoal de forma brilhante (seu filho sofre de transtorno bipolar), apresentando ao expectador as dificuldades de uma família em conviver com um filho que, há qualquer momento, pode ter atitudes destruidoras. Demonstra, ainda, o desafio que é para esse indivíduo se ressocializar, pois, às vistas da sociedade, ele é um doente agressor. Mas na verdade, o personagem sofre com a obsessão por uma mulher, que não mais o deseja e que o teme, e faz disso um amor platônico e infantil. Nesse meio tempo, Tiffany, igualmente transtornada, aparece na trama para mostrar que conhece e admite os próprios desequilíbrios e que podem supera-los juntos.

O diretor abusa de diálogos espetaculares, nos quais utiliza do artifício do campo/contracampo, assim como o de focos nos personagens, que, atrelados a interpretações elogiáveis, dão velocidade à cena, com um ritmo incessante, proporcionando a quem assiste a sensação de euforia, beirando a falta de ar. Muitas vezes se sente a dificuldade de acompanhar o desenrolar dos fatos, o que não compromete o entendimento, mas, apenas, aproxima o expectador do ambiente de crise. Vale lembrar, ainda, da utilização da câmera em movimento, com zooms repentinos em gestos e expressões que denotam à ansiedade e o desequilíbrio dos personagens, em especial em Pat e em seu pai.


O Lado bom da vida (vítima das péssimas adaptações de títulos, diga-se de passagem), portanto, tem como plano principal dramas pessoais, passionais e familiares, apresentados com humor na medida certa e atuações marcantes. Foi responsável, ainda, pelo retorno de Robert De Niro, que há um tempo não acerta em suas escolhas cinematográficas – vide sua interminável parceria com Bem Stiller -, agora em uma comédia romântica bem trabalhada, roubando a cena em praticamente todas as suas aparições.

Não se pode negar os vários clichês da trama, desde frases de efeito e idas e vindas amorosas à um número de dança como clímax da história. Também não posso deixar de falar que o final deixa a desejar, não estando à altura da trama original que se constrói. No entanto, o conjunto da obra traz uma abordagem interessante, com profundidade nos momentos de drama, sacadas inteligentes ao fazer comédia e personagens que fogem do padrão desse gênero, muitas vezes previsível. É um filme intrigante, com atuações excelentes, uma trilha sonora que encaixa perfeitamente em cada circunstância (destaque pra Led Zeppelin tocando em um dos momentos de fúria do protagonista) e usos de câmeras que marcam o ritmo veloz da história, o que denota uma direção exemplar.

O filme foi indicado a 8 Oscars nas categorias: Melhor FilmeMelhor ator (Bradley Cooper), Melhor atriz (Jennifer Lawrence), Melhor ator coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Atriz coadjuvante (Jacki Weaver), Melhor Diretor (David O. Russel), Melhor Roteiro Adaptado (David O. Russel) e Melhor montagem.  
  

17 fevereiro 2013

"D-J-A-N-G-O. O D é mudo."



E finalmente estou aqui falando, já completamente passional, de Tarantino. Não só isso! É da sua volta às telas de cinema. E como eu já falei em outras oportunidades no blog (e pretendo melhor expor isso em, quem sabe, uma série Tarantino), Quentin é meu preferido. Mas hoje vim aqui pra falar de Django Livre!

Quem conhece seu histórico, sabe que o diretor tem características super marcantes e que quebrou um pouco dessa linha com Bastardos Inglórios. É um filme genial, com diversos toques tarantinescos e atuações excelentes. Mas se percebe facilmente que foi uma ruptura de estilo, pois é dotado de mais preocupação técnica, cortes estratégicos, ambientes realistas, um ar de seriedade e diálogos mais específicos. Bom, estou falando disso porque notei que em Django, ao mesmo tempo que, em comum a Bastardos, é um roteiro que expõe um momento histórico de massacre e preconceito, dotado de críticas ferrenhas, bem como conta uma história de "caça" e vingança, também é composto pelas tão constantes referências e influências que o diretor, de forma original, sempre inclui em suas obras (e que ficaram de molho desde Kill Bill e Death Proof).



O filme se inicia em 1858, dois anos antes da Guerra Civil dos Estados Unidos, em um ambiente escravocrata, segregador e racista do sul norte-americano. Dr. Schutz (Chritoph Waltz), um ex dentista alemão caçador de recompensas está à procura de um escravo chamado Django (Jammie Fox), que conhece três fugitivos oficiais os quais ele quer capturar, matar e trocar por recompensa. Nas suas andanças, encontra o negro acorrentado a outros escravos, que serão vendidos por comerciantes sulistas. Já nessa primeira cena, o diretor dá aquele gostinho bom aos seus admiradores e conhecedores de sua obra, com muito sarcasmo e, principalmente, tiros e jorradas de sangue inexplicáveis.


Ao juntar-se com Dr. Schutz, um branco inconformado com o tratamento animalesco dado aos negros naquela região, Django é liberto e toma gosto pela ocupação do alemão: matar bandidos por dinheiro. Além disso, ele tem um propósito: achar sua esposa, Broomhilda, que foi vendida a uma das maiores fazendas do sul. Ao chegar nas ricas terras do jovem Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), Django faz o papel de comprador de negros e companheiro de Schultz, para ludibriar o não tão inteligente senhor de escravos, mas que não perde a pose, tentando aparentar conhecedor e culto. No entanto, não contavam com a mente por trás de Calvin, Stephen (Samuel L. Jackson), um negro perspicaz e bajulador, com total influência na casa grande. E entre tiros, sangue e muito sarcasmo se faz o ato heroico de Django.


esse sangue não é tarantinesco hein gente, é do próprio DiCaprio rs

Django Livre é um balde cheio de ironia, no qual Tarantino retratou uma sociedade extremamente segregadora, onde os negros eram comercializados nas feiras e tratados como animais domésticos. Destaque para uma das falas de Stephen, um negro racista, que remete à continuidade dessa segregação nos tempos, com a exploração das próximas gerações. E que personagem genial esse, com uma atuação impecável de L. Jackson. Já  Waltz vem incrível, admirável e digno de aplausos como o libertador e caçador de recompensas, mas não dá pra deixar de mencionar que é um retrato idêntico, mas ideologicamente às avessas, do espetacular Landa, de Bastardos. DiCaprio, com seu primeiro vilão, cumpriu o seu papel e foi bem encaixado naquela figura do mimado e sádico senhor de escravos, que se delicia ao ver dois negros se matando da forma mais cruel. 

Em sua nova obra, Tarantino tem toda a liberdade para explorar sua conhecida violência, que nem tanto causa ojeriza, mas muitas vezes faz rir, devido aos jatos de sangue e tiros enormes e inesperados, o que demonstra que, mesmo estando em uma fase bem mais madura, não deixa suas influências do trash pra trás. Aliás, verossimilhança nunca foi grande preocupação sua (vide Kill Bill). Utilizou bastante do seu tão conhecido zoom in com a câmera, ao apresentar personagens importantes (o Candie, por exemplo), o que fez lembrar tanto do seu histórico cinematográfico. Ainda, homenageou os velhos westerns spaghettis, que tanto admira e onde muito se inspira. E quanto bom humor! (brinca até com a Klu Klux Kan!). Destaque pra sua referência ao criador do personagem Django dos anos 60, Franco Nero, que aparece no filme em um diálogo super inteligente com Foxx, no qual este explica a pronúncia do seu nome, já tão conhecida pelo velho ator de westerns. Por fim, menciono a trilha sonora, escolhida brilhantemente, incluindo até rap no meio do velho oeste.


Foxx e Franco Nero

Confesso que, como nem tudo pode ser perfeito (nem o mestre!), senti muita falta de uma mulher "tarantinesca", forte, destemida, corajosa e violenta, tão presente na maior parte da obra do diretor. A mulher mais central da trama, Broomhilda, tem um papel de mera princesa trancada num castelo, à espera do seu príncipe negro.  

Mas, fora isso, Django veio pra mostrar o quanto Tarantino ainda pode criar e fazer seus fãs se arrepiarem e vibrarem nas cadeiras dos cinemas, com suas tão conhecidas referências, mas sempre originais e cheias de sarcasmo, violência gratuita e bom humor. 

Django Unchained foi indicado a cinco Oscars, sendo eles Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição de Som e Melhor Fotografia.



16 dezembro 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada.




Eis que finalmente estreou, em 14 de dezembro de 2012, O Hobbit - Uma Jornada Inesperada. Adaptação de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, As Aventuras de Tim Tim) para o livro homônimo de J.R.R. Tolkien, que gira em torno das primeiras aventuras de Bilbo Bolseiro, junto a Gandalf, na Terra Média. A história mostra um Bilbo jovem, que decide sair do conforto do condado para se aventurar junto ao mago e a um grupo de anões, liderados pelo Rei Thorin, que estão obstinados a reconquistar a Montanha Solitária, reino dominado pelo tenebroso dragão Smaug. Mas, para isso, o grupo precisa atravessar por vários pontos da lendária Terra Média e enfrentar orcs, trolls, passar pelo reino dos Elfos, bem como lidar com as diversas criaturas sombrias que surgem, em tempos escuros, sobre a florestas dantes verdes e claras.

Então, como disse, assisti ao filme na sua primeira sessão em Fortaleza, em meio a inúmeros outros fãs assíduos de Peter Jackson, Tolkien e suas sagas épicas. E vai parecer um pouco passional demais o meu texto, mas confesso que não vi motivos para tantas críticas negativas à obra. Não é perfeito. Não é melhor do que O Senhor dos Anéis. Então, vamos às impressões.



A experiência de O Hobbit é mágica para quem acompanha e se interessa pelos escritos de Tolkien. É uma sequência de imagens arrepiantes, fidedignas à obra original, e aos saudosistas, órfãos de Lord of the Rings, é um retorno maestral àquelas terras aventureiras. O Hobbit funciona como um prólogo à famosa trilogia e mostra mais detalhadamente os diversos reinos, bem como se iniciou a saga da família Bolseiro. Mostra, ainda, que tal aventura de Bilbo junto a Gandalf mudaria o destino daquele mundo.

Nos deixa clara a transição de tempos tranquilos dos diferentes mundos à época em que a escuridão e o perigo se instalou sobre a Terra Média. Outras criaturas aparecem, como o estranho e desastrado Radagast, o castanho, um dos quatro magos remanescentes. Preciso pontuar aqui que gostei muito do personagem, em desacordo com várias críticas negativas ao mesmo. É divertido, além de que sua ligação com a natureza o torna simpático. O filme passeia, ainda, por uma época em que Saruman ainda se mostrava próximo (não posso dizer amigo e sensato, pois já havia uma aura negra sobre o personagem).

O que mais penso, e não sei se isso foi o objetivo real de Jackson (acho que não), mas O Hobbit tornou-se um filme para fãs e admiradores do universo de Tolkien, bem como da primeira trilogia do diretor. Talvez não seja um filme que vá envolver quem já não tem uma certa familiariedade com aquele mundo, com as criaturas, com as aventuras. Não é um grande entretenimento a quem escolhe assisti-lo aleatoriamente. É a conversão fiel do universo do livro e seus detalhes, seus perigos, suas belezas em imagens extremamente bem feitas.

Não posso deixar de falar aqui da interpretação sempre fantástica de Sir Ian McKellen, em um Gandalf mais virtuoso, mais simpático e tranquilo. Além do momento épico de entrada de Gollum (ah! amei essa parte, amei!).

Sou foda. 1bj.


Mas Peter Jackson peca pelo exagero.

Ao buscar tanta realidade, acaba fazendo um filme com sequências meio bagunçadas, demonstrando uma certa ansiedade em passar tudo o possível ao espectador. Ainda, exagera, e muito!, ao decidir fazer uma trilogia de um livro com aproximadamente 350 páginas, no qual o primeiro filme dura cerca de 3 horas! E, ao assistir, se nota extremamente desnecessário alongar tanto uma saga não tão longa, deixando-a, em certos momentos, cansativa.

Peca no exagero também ao tentar embelezar demais a trama, com sua trilha sonora. É uma bela trilha, mas não tão envolvente e, em muitos momentos, deslocada. Chega a incomodar a incessante música alegre que, ao mudar para uma cena sombria (lembra das sequências bagunçadas?), também muda bruscamente para sons externos mais pesados.

No entanto, que realmente me incomodou nisso tudo foi que, na oportunidade de esquentar a trama, o diretor decidiu por batalhas meio mornas.



Por tudo isso, as coisas boas e ruins, que acredito que tornou-se (premeditadamente ou não) um filme pra admiradores da mitoligia de Tolkien, das terras ermas, verdes, sombrias e montanhosas que abrigam das mais diferentes e mágicas criaturas, aventuras e perigos. E não digo isso porque acho que os fãs não verão os defeitos. Sim, os defeitos existem e são notáveis. E todos nós, admiradores, nos incomodamos. Mas, com certeza, toda a proximidade a esse universo que O Hobbit tanto nos proporciona fará valer a pena cada minuto desse longo filme.

14 dezembro 2012

Promessas de Ano Novo, O Hobbit, Django Livre, Golden Globe, Paul toca Nirvana e uns mimimis



Oi?!
É, aquele oi meio desconsertado que se dá quando você sabe que fez promessas que não cumpriu. Quem acompanha o Sophie (alguém ainda vem aqui?) sabe que há uns dois ou três anos eu venho prometendo, em todos os meses de dezembro, a estar presente, de verdade mesmo, aqui no blog. E sabe também que isso não acontece. Dura, no máximo, até o Oscar. E nesse ano não podia ser diferente!

Estou aqui prometendo voltar.
Não só ao blog, mas aos meus filmes, às minhas músicas, aos meus escritos.

E nessa postagem meio que introdutória, vou dar uma dica do que vai passar por aqui nos próximos dias :)


  • E ontem/hoje, dia 13/14, rolou a pré-estreia do tão esperado O Hobbit, sessão de 00:01hs e eu fui.  Confesso que, apesar da cinefilia que me toma, pré-estreias em quase nada me atraem. Há um grande lado bom: estar no cinema com pessoas que você sabe que gostam daquilo de verdade, e sabem do que se trata aquela sessão, aquelas imagens, aquela história. Isso é bom. Mas, as esperas, as bagunças, as palmas e barulhos fora de hora não me são tão atrativos. No mais, falarei em breve das impressões quanto ao filme em postagem própria. Ele merece. 


#FiladoHobbit



  • Django Livre. Acho que só preciso dizer isso por enquanto. Teremos muito, e muito e muito mais de Tarantino até lá! Aguardem! 
programinha de Natal
Um martelo na mão do vilão em um filme do Tarantino. Apenax.



  • E ontem saiu a lista de indicados para o Globo de Ouro. Ainda tô por fora dos filmes, precisando me atualizar urgente! Mas, entre os nomes, dá pra brilhar os olhos ao ver Quentin, Os Miseráveis, Hugh Jackman, Frankenweenie. E ficar com uma cara de PORQUE? de não ver Nolan por lá.

          Por enquanto é isso, deixar vocês com a apresentação, que rolou no 121212 (concerto beneficente para as vítimas do furacão Sandy), vibrante demaaaais do Macca com Pat Smear, Krist Novoselic e Dave Grohl, ex-integrantes do Nirvana.



Não consigo parar de assistir!!!!

03 março 2012

Stop this shit, or you're going straight to hell

"Hell? This is hell. Right Here!"


"Quantas vidas vivemos? Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nos perdemos 21 gramas no momento exato de nossa morte. Todos.
Quanto cabe em 21 gramas? Quanto é perdido? Quando perdemos em 21 gramas?
Quanto se vai com eles? Quanto é ganho? Quanto é ganho? 21 gramas.
O peso de cinco moedas de cinco centavos, o peso de um beija-flor.
Uma barra de chocolate
Quanto pesam 21 gramas?" 





21 gramas 
Direção: Alejandro González Iñarritu. 
Elenco: Naomi Watts, Benício del Toro, Sean Penn.
Drama - 2003.


Uma das mais incríveis obras de arte da história do drama. Faz parte da trilogia de Iñarritu, junto com Amores Brutos (2000) e Babel (2006).

Veja AQUI mais sobre 21 Gramas, no Sophie

26 fevereiro 2012

Oscar 2012 e A invenção de Hugo Cabret



Hugo é um garoto que vive na Paris dos anos 30 e aprendeu a consertar todos os tipos de relógios com pai (interpretado por Jude Law). Porém, devido a uma tragédia, ficou sozinho e passou a morar na estação de trem, onde se esconde para não ser mandado pro orfanato. Passava a vida dando corda nos relógios da estação, consertando coisas e, principalmente, tentando consertar uma máquina que seu pai deixara inacabado: um autômato, uma espécie de robô antigo, que necessita de uma chave específica para seu funcionamento. Isso é bem importante, pois Hugo acredita que seu pai deixou uma mensagem no autômato. Porém, o seu caderno que o auxiliava foi tomado por um homem que tinha uma loja de consertos. Desesperado, Hugo conta com a ajuda de Isabelle (Cloe Moretz), afilhada do homem, para conseguir seu caderno, mas descobre que há muito mais nessa história toda.


A invenção de Hugo Cabret ganhou meu coração, pra sempre. No Oscar (que começa já já), minha razão tá com O Artista, mas meu coração é todo de Hugo. Na verdade, esse filme é uma grande ode à história do cinema, no qual usa de uma ficção brilhante atrelada a um personagem que realmente existiu: George Meliés, um dos pioneiros no cinema, e primeiro a usar efeitos especiais. Meliès queria fazer do cinema um sonho, ousou, e se tornou um dos nomes mais importantes da história da Sétima Arte. O filme é a homenagem mais completa, sensível e original ao cinema dos últimos tempos (com mérito também ao livro, que se tornou minha prioridade máxima na lista de "Quero ler").

Além de tudo, Scorsese você merece ser admirado por esse filme. Assim, tenho algumas ressalvas com o Scorsese, depois posso postar sobre explicando o porquê. E na verdade, são muitas ressalvas, mas só com sua obra pós anos 90. Mas eu o admiro, muito, muito mesmo, pelo 3D incrível feito no filme, sem largar em momento algum a adaptação, as imagens, a técnica, muitas vezes hoje deixada de lado em prol dos efeitos.


E NO MAIS GALERA OSCAR AGORA VAMOS!

Olhem, STREAMING do Red Carpet AQUI!

Link pra transmissão do Oscar na TNT BRASIL a partir das 21hs AQUI.

E LIVEBLOGGIN NO OUTRO BLOG GALERA!!! VÃO AO Verborragia e participem!

Enfim, esse post foi feito meio nas pressas, não poderia deixar passar sem falar do meu favorito. 

And the Oscar goes to... 

23 fevereiro 2012

O Artista



O Artista (The Artist) é um filme mudo e em preto e branco, produção francesa e americana de 2011, que conta a história de George Valentin, um grande astro dos filmes mudos nos anos 20, em Hollywood, que se vê em crise após o advento do filme falado. Sua crise é ainda maior porque ele é esquecido, já considerado o passado hollywoodiano, e em seu lugar fica a grande estrela Peppy Miller, atriz que iniciou sua carreira como figurante nos filmes de Valentin e com quem já havia flertado. Após a grande depressão, sua condição financeira piora, sua esposa o deixa e ele passa a vida em bebidas com a companhia de seu fiel motorista e seu cão. Peppy, em seu auge, se torna a vanguarda do cinema, mas nunca esqueceu George, por quem nutre uma paixão e se sente culpada pela situação. Após um acontecimento trágico, eles se reencontram e, entre dramas e comédias, tentam uma reconciliação.

O filme é de uma beleza estonteante. Assisti-lo no cinema foi, pra mim, amante da sétima arte, um presente. Estar em uma sala escura com um filme preto e branco e mudo diante dos meus olhos foi como ter entrado em um túnel de tempo com aqueles projetores a manivela, que passavam quadro a quadro. É fantástico. Mas além disso, não é assistir qualquer filme. É assistir a uma verdadeira obra de arte.


O diretor, Michel Hanazavicius, foi ousado e quis trazer em seu trabalho uma verdadeira homenagem a tudo o que mais lhe inspirava, o ínicio da história do cinema. E fez de forma singela, trazendo em si um roteiro já muitíssimo abordado que é o da evolução cinematográfica e as crises que tal mudança gera nas estrelas da época (vide Crepúsculo dos deuses, o mais famoso filme sobre o assunto, indicado ao Oscar em 1950), sendo, pois, metalinguístico (estilo muito querido dos cineastas mais antigos). Porém, ao escolher ser ousado e fazê-lo nos moldes originais de tais filmes, mudo - com legendas em quadros- e preto e branco (com muito sucesso, diga-se de passagem), deixou de ser "batido" pra ser uma belíssima homenagem às origens do cinema.

Tem no elenco Jean Dujardin, que consegue apreender todo o estilo de atuação dramático e exagerado dos artistas da época, e Bérénice Bejo, sem contar no Jack Russel lindo que os acompanha em toda a trama. Ah, e pra dar certo como deu, a trilha sonora é fascinante!


O Artista levou Melhor Filme - comédia ou musical, Melhor Direção, Melhor ator - comédia ou musical, Melhor atriz coadjuvante, Melhor Roteiro de filme e Melhor Trilha sonora no Globo de Ouro 2012;


Foi indicado a 10 Oscars, entre eles Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Ator.


Vale a pena demais a experiência.

P.S 1: Se você quiser conhecer um dos mais aclamados filmes do estilo, indico Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses).
P.S 2: Se você quiser assistir um dos filmes mais lindos que vi na vida e que falam de cinema, indico demais o italiano Cinema Paradiso.

 - No outro blog que escrevo comentei sobre indicados a categorias mais secundárias do Oscar 2012 (A Dama de Ferro, Os Homens que não amavam as mulheres e Rango), dêem uma olhada  ;) > Verborragia 

16 fevereiro 2012

The Descendents


O filme conta a história de Matt King, interpretado por George Clooney (Onze homens e um segredo), que é um advogado e herdeiro de terras que valem uma fortuna no Havaí. Pai de duas filhas, se vê em um momento de grandes dificuldades quando sua esposa sofre um acidente que a deixa em coma, sem nenhuma esperança de que volte a respirar sem o auxílio dos aparelhos, além de ter a obrigação de decidir, sendo o administrador da herança entre vários outros membros da família, o comprador e o destino de suas terras.

Tal obra é, ao meu ver, muito subestimada, talvez pelo ator principal, apesar de estar sempre em vista, poucas vezes tem atuações muito elogiáveis, ou até diferentes uma das outras; talvez também pela sinopse simples, meio batida e até previsível. Acontece que eu me surpreendi muito com o filme. É muito bom, um típico drama familiar (que o Oscar adora, diga-se de passagem) e grande parte desse mérito vem da atuação inovadora de George Clooney, que assume seus cabelos brancos e sua barriga nem tão tanquinho assim, deixa de lado os olhares sedutores e se veste de pai nunca presente que não sabe o que fazer, não sabe o que decidir, nem como agir. Pede ajuda a sua filha mais velha, Alex (Shailene Woodley - excelente!!!) a criar a filha menor, que, notavelmente, não vem sendo tão acompanhada em sua educação.


Alex, inicialmente, se revela hostil, tendo dificuldades de absorver a morte da mãe, pois não tinham uma relação nada amigável e, na época do acidente, estavam brigadas pois a filha descobrira que a mãe traía seu pai.
A partir dessa revelação, a relação entre pai e filha se estreita, Alex fica mais amigável e passam, juntos, a suportar os problemas que vêem pela frente, além de, também juntos, irem em busca do homem com quem a esposa o traía para tirar satisfações e avisá-lo de sua atual situação. O enredo vai se desenvolvendo nessa busca e nesse tempo entre o desligamento dos aparelhos e a morte de Elizabeth.

O filme é bem dirigido, com ótima fotografia, excelentes atuações, bonitas paisagens e uma trilha sonora muito contagiante (nossa, sério gente, muito boas as músicas!). É um drama comedido, sem exageros, até com umas passagens de comédias. Um filme que te deixa meio triste, mas que também te faz sorrir. É uma obra simples, nada grandioso, mas que ganhou meu respeito pela qualidade.



Foi indicado ao Oscar 2012 por: Melhor filme, melhor diretor (Alexander Payne), melhor ator (George Clooney), melhor roteiro adaptado e melhor edição.

Ganhou o Globo de Ouro 2012 em Melhor filme dramático e melhor ator (George Clooney).

05 fevereiro 2012

We need to talk about Kevin



Eva Khatchadourian, interpretada por Tilda Swinton (As crônicas de Nárnia, O Curioso Caso de Benjamin Button), é  uma mulher que segue atormentada por lembranças confusas e dolorosas de um passado não tão distante. Casada com Franklin, feito por John C. Reilly (Chicago, Magnolia), teve seu primeiro filho, Kevin, o qual é ponto central dessas recordações. Desde bebê, mostrava aversão à mãe, chorava sempre em seus braços, calando-se ao ir pros braços do pai; por volta dos 3 anos se negava a brincar com a mãe, demonstrando total apatia às tentativas de Eva de agradá-lo; já maior, fazia tudo para deixá-la mal e transparecer o ódio que sentia a tudo que ela fazia. Tinha, de fato, talento para dissimulação, pois na frente do pai, era um garoto normal, carinhoso, atencioso, o que fez Franklin ser averso às vezes que Eva tentou dizer-lhe o que o menino fazia, como agia. Depois de um tempo, Eva engravidou novamente, de Celia, o que tornou a convivência entre mãe e filho ainda mais hostil






A história se segue por flashbacks, mostrando o ambiente familiar e o crescimento de Kevin, voltando pro tempo presente, onde Eva tenta sobreviver diante de pessoas que a ridicularizam e a atacam por algo que ocorreu, uma tragédia, mostrada por lembranças confusas que a tornam uma mulher depressiva e decadente. 


Esse é um dos meus grandes recalques do Oscar: sim, Precisamos falar sobre Kevin, ao meu ver, merecia muito estar entre os indicados. E mais ainda, Tilda Swinton merece mais do que um Oscar por tal atuação, com toda a dramaticidade da personagem, a densidade emocional e psicológica que ela teve que doar para construir essa mãe e mulher tão atormentada, mas que não desiste. Me é perturbadora a cena em que a mãe sorri, emocionada,  em um momento único de ternura do filho com ela, e outra em que a diretora faz um jogo de imagens, mostrando a semelhando de um com o outro, trocando, em uma mesma ação, o filho pela mãe. É como uma dependência. Ambos dependiam dessa relação. 








Podemos dizer que a obra é um drama envolvido por um grande suspense, com a questão final até meio previsível. É notável que a imprevisibilidade não é um dos grandes objetivos, o que importa é o teor psicológico, o quanto você se impressiona com o desenrolar dos fatos, o quanto você pára e se questiona o porquê de tudo. E o quanto previsível é o fim quando você resolve pensar sobre todo o crescimento da trama, cada passo do personagem principal, cada gesto, cada ação. E isso é envolvente e até um pouco torturante. 


O filme é uma adaptação feita por Lynne Ramsey do romance homônimo de Lionel Shriver. 


Sim, é uma história forte. Eu mesma me questionei se sou capaz de ser mãe, algo lindo, mas muitas vezes, tão atribulado. Kevin é interpretado Ezra Miller, adolescente; Jasper Newel, aos seis anos e Rocky Duer quando criança (por volta dos 3 anos). São, as três, atuações excelentes, que tornam o filme ainda mais impressionante. 


Indicado ai BAFTA, Palma de Ouro, Globo de Ouro. 



27 janeiro 2012

Beginners.

Então pessoal, passou Globo de Ouro, o Oscar ta aí batendo na porta (26 de fevereiro) e eu tô super no clima. Aquele clima de revolta anual por filmes incríveis terem sido desprezados sem dó, ou aquele clima de Ah que lindo meu favorito foi indicado e vai perder! e aquela vontade de ver os ocorridos épicos de todos os anos na noite principal. Então, nessa semana saíram os indicados (veja-os aqui e também minhas apostas) e eu não poderia deixar passar em branco... vou fazer meio que uma série de posts de indicados pro Oscar que eu for assistindo, e, pra não deixar o recalque de lado, os que estão fazendo falta por lá. E hoje eu começo com Beginners.


Às vezes eu penso que as pessoas deviam sentir mais os filmes, viver mais os filmes. Quando assisto um filme que me interessa, procuro aproveitar cada sensação, cada riso, cada lágrima, cada ação, cada som e absorvê-los, e digeri-los. Falo isso porque em Beginners eu queria que todos sentissem as sutilezas sentimentais que esse drama fantasiado de comédia romântica nos proporciona. 
Vou começar essa série de posts falando sobre um filme que está minimamente na premiação, com Christopher Plummer (O Mundo imaginário do Doutor Parnassus, Uma mente Brilhante) indicado a melhor ator coadjuvante (ganhou o Globo de Ouro 2012 na mesma categoria)

O filme mostra Ewan McGregor como Oliver (Moulin Rouge, Star Wars I, II, III e lindo), um homem solitário que tem como único companheiro seu cão Arthur, após a morte recente do seu pai, Hal, de câncer. A história vai se construindo a partir de flashbacks que ligam a infância de Oliver, relembrando sua mãe (que também morrera de câncer) a qual suprira a ausência do pai, aos últimos anos de vida de Hal, nos quais pai e filho se tornaram próximos, confidentes, amigos. Isso se deu por Hal admitir a seu filho, após a morte da esposa, que era gay e que estava disposto a aproveitar essa nova fase. 

Arthur lindo merece um Oscar também.

Os flashbacks vão mostrando o estreitamento da relação de pai e filho, com Oliver entendendo que seu pai sempre foi gay, que passou sua vida tentando manter um casamento e que agora queria, finalmente, ser feliz. E era. No tempo presente do filme, Oliver conhece Anna, interpretada pela linda da Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios) e se apaixona.

O filme vai mesclando passado e presente, mostrando a relação de amor de Hal e seu namorado Andy, suas relações com o movimento LGBT, o amor que cresceu entre ele e seu filho, e, de uma forma bem casual e leve, fala sobre tolerância. Ao mesmo tempo vai-se construindo a história de amor de Oliver e Anna.

Há um tempo eu venho percebendo essa nova fase das comédias românticas. Elas vêm com histórias mais originais, com sensibilidade, beleza e menos previsíveis, menos iguais. Beginners (Toda forma de Amor) veio com essa boa fase do gênero. Possui um drama leve, mas que toca, que sensibiliza, com um romantismo comedido, banhado de cenas que nos fazem sorrir.

Official Trailler

A forma mais verdadeira de falar sobre esse filme é dizendo: é lindo. Assistam! 
Ah, só pra frizar, a atuação do Plummer tá excelente e o filme tem uma trilha sonora lindinha :).

P.S corram pra fazer downloads viu, que não tá fácil :(. Busquem por torrents!

31 outubro 2010

GENTE adorei!

Olha só, eu nem ia postar isso. Tinha outra coisa em mente, em rascunho, em programa e tudo. Mas eu, uma cinéfila, fã demais de Tarantino, amante de Woody Allen e admiradora dos grandes diretores de cinema não me contive em postar isso que eu vi há alguns minutos no Twitter (quem postou foi o @euThiagoAssis, do http://euthiagoassis.blogspot.com/) ~
gente não tenho Telecine em casa =(.


Quentin Tarantino, Woody Allen, Steven Spilberg, Alfred Hitchcock e Martin Scorsese em animação dançando Backstreet Boys RSSSSS.

P.S 1 eu fui uma pré-adolescente fã de Backstreet Boys.

curtam aí, beijos. até que eu tô indo aqui assistir os vídeos dos Backstreet Boys e

08 fevereiro 2010

Da sétima arte.


Uma das coisas que mais adoro no Sophie é a possibilidade de compartilhar com vocês as coisas boas que passo a conhecer. E uma das artes mais incríveis pra mim é o cinema. Nesse post, não poderia ser diferente, tenho que citar o Homero (do Divagações e Anormalidades de uma Mente Ociosa) ... ele é como um professor nesse assunto pra mim, sem falar do amigo que fiz nesse mundo dos blogs. E como não poderia citar o nome dele se vou falar de Quentin Tarantino? rs

Pois bem, estou adentrando no universo desse grande diretor (antes tarde do que nunca) e muito por influência desse entendedor de cinema. Então, com vocês, Pulp Fiction - Tempo de violência (1994).

O filme tem um roteiro incrível, atuações fabulosas e, como é da marca de Tarantino, os diálogos marcantes. Mas óbvio que não poderia deixar de citar no Sophie outro aspecto que tanto me chamou a atenção: a trilha sonora! São escolhas certas, com músicas mais antigas e que encaixam perfeitamente nas cenas. Músicas como Son of a preacher man, da Dusty Springfield; Girl, You'll Be A Woman Soon, do Urge Overkill (uma das minhas cenas preferidas), You never can Tell, do Chucky berry e o solo de guitarra que eu amo Misirlou. Aqui a Soundtrack do filme pra download .Pulp Fiction soundtrack. (pra quem curte música antiga, como eu, vale a pena!)



Então, Pulp fiction consiste em histórias não cronológicas que de alguma forma se interligam. Se inicia com um casal de assaltantes em uma lanchonete, com um diálogo aparentemente insignificante, mas que revela sua importância posteriormente. No desenrolar, aparece a história dos dois mafiosos (John Travolta e Samuel L. Jackson), comandados pelo chefe Marsellus (Ving Rhames), que também é chefe do lutador interpretado por Bruce Willis. Além de tudo, há as cenas (as minhas preferidas) em que o personagem de John travolta fica encarregado de cuidar da esposa do seu chefe, Mia Wallace, interpretada por Uma Thurman.


John Travolta e Uma Thurman dançando Chucky Berry.

Durante a trama, ocorrem cenas que marcaram o cinema e a história de Tarantino, além do inusitado desenrolar dos acontecimentos.

Ganhador do Oscar de melhor roteiro original, em 1995.