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27 fevereiro 2013

Hugh Jackman: The Show Man!

Pra quem assistiu à cerimônia do Oscar esse ano, teve o prazer de ver números lindíssimos e ter a grande surpresa de Catherine Zeta Jones como Velma Kelly novamente, fazendo homenagem ao meu musical preferido, Chicago. Viu, ainda, Adele cantando a canção vencedora de Melhor Canção Original, Skyfall; além de Jennifer Hudson em um corpo esbelto homenageando Dreamgirls (excelente!).

E, dentre tantas homenagens a um gênero tão querido por mim, não poderia faltar o momento de Les Miserables, musical que esteve presente em todas as premiações de cinema do ano. Ter o elenco espetacular do filme de Tom Hooper, interpretando ao vivo Suddenly foi um dos ponto altos da noite. Mas, não é bem o Oscar o ponto central desse post.

Hoje vou falar do grande responsável pelas mais marcantes apresentações no histórico da premiação: Hugh Jackman.

Ora, não basta demonstrar toda a sua genialidade ao atuar (em Miseráveis, por exemplo). Ele tem que saber cantar muito bem, dançar muito bem e ser super criativo (e lindo)!

Então, vamos começar com sua apresentação no último domingo, trazendo Jean Valjean ao palco do Oscar:

- desculpem a má qualidade do video, o Oscar não permitiu a postagem da transmissão no Youtube



E aqui vai excelente abertura do Oscar 2009, em que ele apresenta, dança, canta e interpreta (além de ser lindo)




Finalmente, o número inesquecível em parceria com Beyoncé, novamente homenageando, de forma espetacular, o gênero musical, interpretando de Sing in the rain, a Chicago e Mamma Mia ( o que pra mim foi o melhor número do Oscar desde quer comecei a acompanhá-lo).



The 81st Annual Academy Awards Hugh Jackman... por echelon3



Enfim, foi só pra dividir com vocês a sensação de ser uma mera mortal enquanto o Hugh tá sendo tudo e mais um pouco. 



24 fevereiro 2013

Apostas para o Oscar mais incoerente de todos os tempos - 2013




E nesse Oscar 2013 o babado aqui tá mais forte porque o ganhador vai levar presentinhos e é só com isso que eu me importo mesmo (brincadeira gente, o que importa é se divertir, etc). No entanto, tenho certeza que vou perder, pois tá tão imprevisível e eu tô querendo ousar nas apostas e ser esperançosa. Pra mim, o Oscar é de Argo. Pros EUA e pra maioria, o Oscar é de Lincoln. Vamos às apostas! 


Ah! E só pra avisar que vai ter cobertura completa do Oscar 2013 no Twitter! 

Com @myllafox // @rehabdocris // @larandrade__ 



Melhor Filme

Indomável sonhadora
O lado bom da vida
A hora mais escura
Lincoln
Os Miseráveis
As aventuras de Pi
Amor
Django livre
Argo


Sendo totalmente passional, queria Django né, mas isso não sairia do mundo das ideias :(. Racionalmente, quem tem que levar é Argo mesmo e ai dessa academia se der praquele LincolnzzzzzzzzzZzz


Melhor Diretor
  
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)


Aaafff Spielberg sai daqui, ninguém merece ;/. Eu dou Oscar pro O. Russel, sem pena. Mas Who am I né (só os fortes entenderão) 



Melhor Ator
  
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")

Eu daria o Oscar pra todos, porque não hein? hein? Daniel é deus, nada menos do que isso. Mas Hugh, meu coração está torcendo por você ;~~~


Melhor Atriz
  
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Daria pra TOOODAS, menos pra Naomi who, visto que não assisti O impossível (tenho muito critério pras coisas, né?). Juro que tô apostando na Emanuelle porque tá uma atuação fora do comum, mas ainda vejo em Lawrence muita chance em levar esse prêmio. 


Melhor Ator Coadjuvante

Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")

Eu daria o Oscar pro Samuel L. Jackson, em Django, pena que nem indicado ele foi. 


Melhor Atriz Coadjuvante

Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("The sessions")
Amy Adams ("O mestre")

Ela merece! Ela merece! Pena que eu vou errar essa :( 

Melhor Filme Estrangeiro
  
"Amor" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)

Por motivos óbvios. 


Roteiro original

Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

E quando eu não tive ideia nenhuma de em quem apostar, veio o coração e falou mais alto. 


Roteiro adaptado

Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")

Esse filme ainda vai me fazer perder as apostas tudo :( - Queria O Lado Bom da Vida ganhando tbm. 

Animação

 "Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"



Documentário em longa-metragem
  
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"Searching for a sugar man"

Porque sim.


Documentário em curta-metragem

"Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"

Porque me lembrou aquela música do Bob Marley, Redemption Song. (???)




Fotografia

"Anna Karenina"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Será?

Edição

"Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

De novo.


 






















































Trilha sonora original

Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")

Essa é um chute grande viu. Mas a trilha é perfeita!  


Canção Original

 "Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Infelizmente ela ganha, mas ô música chata.


Efeitos Visuais

"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"

Olha O Hobbit aí gente!

Edição de Som

"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"A hora mais escura"
"007 – Operação Skyfall"

Não faço ideia dessas categorias técnicas gente.

Mixagem de Som

"Argo"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Não faço ideia dessas categorias técnicas gente. (2)


Melhor Curta-Metragem

"Asad"
"Buzkashi boys"
"Curfew"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

CHUTEEEEE

Curta-Metragem de Animação

"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"

Fofíssimo.

Figurino
  
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"

Deveria ser Os Miseráveis.


Design de produção

"Anna Karenina"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"

Sem critério. 


Maquiagem e cabelo
  
"Hitchcock"
"Os miseráveis"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"

PFVR


É isso galera, façam suas apostas!  

23 fevereiro 2013

COMBO: Frankweenie - Valente - Detona Ralph.

E, pra não perder o costume, a Disney resolveu encabeçar a lista de filmes da categoria Animação, do Oscar 2013 (ai como adoro essa categoria!). Dos cinco indicados, três são da famosa produtora e, por motivos óbvios, o favorito também - Frankweenie, diferenciando-se de Valente e Detona Ralph por não ser da Pixar. Vale destacar, ainda, que as duas animações da Pixar indicadas trouxeram temáticas bem inovadoras e aspectos originais, não tão comuns às suas películas anteriores. Então, vamos às apresentações!



Frankweenie conta a história do garoto Victor, solitário, franzino, calado, e seu cãozinho e único amigo Sparky. O garoto é o melhor em ciências na escola e tem como hobbie dirigir curta-metragens de terror, usando seu animal de estimação como protagonista. No entanto, no dia em que é obrigado pelo seu pai a participar de um jogo de beiseball na escola, acontece uma tragédia: Sparky sofre um acidente fatal. Victor se desespera, ao se ver sem seu único companheiro. E nesses dias solitários, em uma aula de ciências, tem a ideia de se utilizar da sua inteligência pra trazer seu cão de volta à vida, o que gera uma série de acontecimentos inesperados na cidade. 

E nesse ambiente trágico (afinal, o que é mais triste pra uma criança do que perder seu animal de estimação?), Tim Burton nos presenteia com uma ode ao cinema clássico de terror, fazendo uma homenagem a várias das obras que tanto lhe deram inspiração para realizar a ambientação sombria, noturna e de personagens nada convencionais da maior parte dos seus filmes. Constroi a animação em stop-motion - estilo que prevaleu na premiação desse ano, já que Piratas Pirados e Paranorman também são stop-motions - e em preto e branco, fazendo, ainda, clara referência ao famoso monstro Frankstein no nome do filme.  Vale dizer, também, que expôs ao público um alter ego, com Victor, um garoto nada popular na escola, de um ar soturno e aspirante a cineasta. Ouso dizer que Frankweenie foi uma das obras do Tim que mais me emocionou, pois facilmente percebemos o quão é pessoal e honesto com suas influências, sendo minha torcida para levar a estatueta na premiação de amanhã. 



Valente traz em sua trama a história da princesa Mérida, garota que busca quebrar as tradições femininas em um reino da Escócia, na Idade Média. Com uma personalidade forte, não se contenta em passar a vida treinando para ser uma princesa, com bons modos, boa aparência, porte de rainha. Gosta de cavalgar e tem como hobbie praticar arco e flecha. No entanto, sua mãe e rainha dedica a vida em transformá-la em uma dama apresentável à sociedade, bem como apta a se casar. Por isso, convoca os jogos heroicos, dos quais sairá um vencedor e noivo para a primogênita. Tal ideia faz Mérida entrar em pânico, vindo a romper os laços com sua mãe e fugir do castelo.


No caminho, se depara com uma bruxa, que, a pedido da garota ruiva, faz um feitiço para que a rainha mude por completo. Ao voltar ao reino, a garota percebe que o feitiço foi por água a baixo: sua mãe se transformou em um urso, o animal mais caçado pelo rei. Para desfazer o feitiço, Mérida precisa reatar os laços até o segundo nascer do sol.

Confesso que me surpreendi, vendo tamanha inovação da Pixar, que, em sua primeira princesa, expõe uma personagem feminina que quebra paradigmas. Digo, ainda, que trouxe bem, de uma forma sutil que cabe a obras infantis, a crítica ao sexismo, ilustrando uma princesa forte, que não se rende às diversões tradicionalmente femininas, nem aos tradicionais deveres de uma mulher da realeza. Também tem um apego cômico sensacional (não rio tanto em uma animação desde Monstros S.A) - vide os trigêmeos e o rei, figuras engraçadas na medida certa. Valente muito me agradou, demonstrando, mais uma vez, uma série de acertos da Pixar, de um modo ousado, figurando como um dos favoritos ao Oscar.






Detona Ralph é ambientado em um submundo no qual os diferentes jogos de Fliperama são interligados por uma rede elétrica. Ralph é um vilão (The bad guy!) de um jogo arcade, no qual ele destroi o prédio e o Félix, mocinho, conserta tudo e ganha todas as medalhas. No entanto, ninguém sabe que o grandalhão tem sentimentos, e gostaria de ser notado, receber tapinhas nas costas, não morar sozinho em um lixão e ser convidado pras festas. Por isso, fica obcecado na ideia de conseguir uma medalha em outro jogo. Nessa busca, decide entrar em um game HD, no qual tem que matar uma horda de insetos e chegar ao topo da montanha para conseguir a tão sonhada medalha dourada. Nessa confusão, consegue a medalha, mas acaba a ser lançado para o jogo Corrida Doce, no qual conhece Vanellope, garota encrenqueira que sonha em participar da corrida, mas é impedida por ser um "Tilt".


E mais uma vez a Pixar resolve inovar, e muito! Detona Ralph é claramente uma animação voltada pra gamers que viveram os anos 90 e pessoas que tiveram algum contato com os antigos consoles. É dotado de referências com os mais famosos personagens de jogos, nos permitindo ver cenas com o Bowser, o Sonic e até o Pac Man! E quem não ficou ansiosamente esperando o Mario aparecer, hein? Além disso, o ambiente da Corrida Doce é idêntico às famosas pistas de Mario Kart. Mostra, também, o trágico encontro entre os jogos arcade com os jogos HD, o que acabou causando a confusão cerne da história. Bom, é um desenho nostálgico, com dois personagens de uma empatia emocionante (Ralph e Venellope) e nos faz ter vontade de tirar nosso Super Nintendo da caixa empoeirada e mostrar praqueles joguinhos de gráficos ultrapassados que eles não estão tão esquecidos assim. No entanto, apesar de figurar como indicado ao Oscar, não está à altura dos seus dois concorrentes da Disney.

20 fevereiro 2013

Les Miserables (2012)

"Você ouve o que as pessoas cantam? 
Cantando o som dos homens raivosos?
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente!"




Victor Hugo fez obra para todas as gerações. Conhecer Os Miseráveis é perceber que os conceitos de justiça pouco mudaram com o passar dos tempos. O escritor, em uma de suas obras mais famosas, denuncia a situação de total miséria existente na França de 1815 a 1832, com uma superpopulação de pobres e marginalizados vivendo à mercê de uns poucos ricos detentores do poder. Nesse momento histórico, ser revolucionário era buscar o fim de um governo absolutista, que persistiu mesmo após a Revolução Francesa. E com escritos que ressaltavam a voz do povo, convocavam à mobilização popular e à revolução, ele fez sua obra, ainda tão presente nos dias atuais. Afinal, não é anacrônica a ideia de um homem passar anos preso por ter roubado um pão para alimentar a família.


Trazer tal obra para as novas gerações de uma forma comprometida não me parece tarefa fácil. Foi o que pretendeu fazer Tom Hooper (O Discurso do Rei). E, após dezenas de outras adaptações para o teatro, TV e cinema, o diretor faz uma versão de Os Miseráveis em musical. E que ganho de quem tem a oportunidade de ver tão rico roteiro nas telas do cinema. O diretor se utiliza bem da modernidade cinematográfica para fazer um épico, com belíssimos figurinos, um ar noturno, que remonta à uma época de pobreza, miséria e batalhas perdidas. Apesar de se utilizar de jovens atores, não perde a seriedade da trama. Mas vale dizer que também optou por dar mais leveza e otimismo a uma história tão trágica e denuncista. Tal leveza não é reprovável, mas demonstrou sua pouca preocupação com o marcante e relevante apego social da obra literária.
                                     




Jean Valjean (Hugh Jackman) está saindo da prisão, para liberdade condicional, após 19 anos se submetendo a trabalhos forçados por ter roubado um pão para dar pra sua irmã (a pena foi aumentada por inúmeras tentativas de fuga). Mas, em seu encalço, ficou o detentor maior da ordem e justiça, o inspetor Javert (Russel Crowe). Ao ser oprimido por todos, por ter o "carimbo" de ex-presidiário, não tem nem mesmo onde dormir. Após tantas andanças, conhece um piedoso bispo, que lhe oferece comida e abrigo. No entanto, tenta roubar as pratarias do senhor que lhe ajudou, e é preso e levado de volta ao religioso, que desmente o crime e diz que foi um presente. Após tal piedade, sua vida muda. Volta à cidade com outro nome, outra aparência, torna-se filantropo e empresário.

Em paralelo, nos é apresentada Fantine (Anne Hathaway), mãe solteira que trabalha para sustentar sua filha Cosette (Amanda Seyfried), após ser abandonada pelo pai da criança. Mas, de forma injusta, é demitida por ter uma filha bastarda e se vê obrigada a se prostituir para conseguir dinheiro para sobreviver e criá-la. Ao saber de tamanha miséria, assim como perceber que Fantine está a beira da morte, Valjean salva a mulher das ruas e lhe promete que cuidará da menina.



Ocorre que o ex-prisioneiro é obrigado a dedicar sua vida a fugir do seu inimigo, o inspetor obcecado em prendê-lo novamente. Simultaneamente à história de Valjean, Victor Hugo retratou a França insurgente, com Marius (Eddie Redmayne), de família nobre, mas que toma um caminho ideológico oposto. E a trama se desenvolve na França das barricadas de 1932, com Valjean enfrentando sua sina, Javert; Marius, lutando pela revolução e, simultaneamente, buscando reencontrar Corsette, por quem se apaixona perdidamente; o motim de 1932 e as trágicas e fatais barricadas da Rua Saint-Denis, dentre diversos outros personagens e enredos secundários que engrandecem a obra, como o de Éponine (Samantha Barks) e o do casal Thenardier (Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter).

O filme traz Hugh Jackman (X-Men) em, com toda certeza, sua melhor atuação, digna de premiação. Também, Anne Hathaway (O Diabo veste Prada) surpreendendo como Fantine, conseguindo transparecer todo o sofrimento e miséria que cabe à personagem. Destaque para I Dream a dream, momento marcante da trama, com sua interpretação que nada deixa a desejar. Mas vale, ainda, falar que Russel Crowe (Uma mente brilhante) decepciona, e muito!, em todo o filme, desde ao cantar com sua voz nada preparada pra um musical desse porte, quanto à total falta de expressão e empatia com os demais personagens. Ah, e pra dar um toque de comédia, vemos os explêndidos Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter, como o casal Thenardier, esbanjando afinidade e excelentes interpretações.



























Mas não posso deixar de alertar os futuros expectadores: o diretor pesou a mão no musical. É, esse gênero não é pra qualquer um. E longe de duvidar da competência de Hooper, mas, em vários momentos, a trama fica cansativa, devido a cenas cantadas, notadamente desnecessárias (digamos que 99% do filme foi musicado). E penso que isso fez o efeito contrário pretendido pelo diretor, que se utilizou de um elenco notável e hollywoodiano, o que atrairia um público vasto para conferir tamanho épico, afastou parte do seu público, tornando-se um filme voltado, no geral, a quem realmente gosta do gênero e/ou da obra literária.

Esse foi um filme que realmente dividiu opiniões, mas que, apesar de algumas escolhas erradas, possui cenas belíssimas, atuações impecáveis, canções emocionantes, assim como traz às novas gerações uma história fascinante, dotada de teor político e ideológico (pouco explorados na nova adaptação infelizmente) que sobreviveu a séculos e foi eternizada.

O filme foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway), Melhor Ator Principal (Hugh Jackman), Melhor Som, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Roteiro Original.

18 fevereiro 2013

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)



O que normalmente se espera de um filme, no qual Bradley Cooper (Se beber não case) e Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) são os protagonistas e que, no primeiro ato, apresenta dois personagens que estão passando por sérias crises pessoais, que se encontram, brigam, se apaixonam e ajudam um ao outro a superá-las? Provavelmente que é mais uma comédia romântica amontoada de clichês e previsibilidades.
O mais interessante de assistir O Lado bom da Vida é a surpresa que nos toma no desenrolar da trama, em cada nova sequência, nas quais o galã sai de cena e dá espaço a um homem transtornado, obsessivo e bipolar, advindo de uma interpretação super expressiva e comprometida que justifica bem a indicação ao Oscar de Melhor Ator a Cooper.
Dirigido por David O. Russel (The Fighter), a obra gira em torno de dramas pessoais decorrentes de relacionamentos amorosos que fracassaram, e desemboca em uma sequência bem humorada de encontros e tentativas de superação. Pat (Bradley Cooper) é um homem que, por volta dos seus trinta anos, encontrava-se internado em uma clínica psiquiátrica após ter uma crise agressiva ao flagrar sua esposa (e grande amor) o traindo em sua própria casa.


Após oito meses, volta ao convívio familiar, o qual se percebe de imediato que não é um ambiente nada popício à reabilitação. Neste momento, temos a excelente surpresa de ver Robert De Niro (Taxi Driver, Entrando Numa Fria), interpretando o pai, Sr. Pat Solitano, figura cheia obsessões, manias e demonstrações violentas, as quais, ao mesmo tempo que destacam a total instabilidade daquela família, dão uma dose de comédia, devido aos exageros. Tem lugar, ainda, a Sra. Dolores Solitano (Jacki Weaver), como a figura materna, passiva e esperançosa de que tudo irá voltar aos conformes. 

Ao retomar suas antigas amizades, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota que perdeu o marido de forma trágica e tem sérias dificuldades em superar tal fato, descontando seu desequilíbrio em sexo descompromissado e mudanças repentinas de humor. Vale destacar que a primeira demonstração de empatia entre o casal é em uma conversa bem humorada sobre os diferentes remédios psiquiátricos aos quais se submeteram, com a descrição dos seus respectivos efeitos.

Em um segundo momento, Tiffany, dotada de forte personalidade e certa agressividade, tem a iniciativa de se aproximar do rapaz, que a repele sob justificativa de que é casado e de que irá reconquistar sua esposa. Após insistentes perseguições, calorosas brigas e diálogos explosivos, ambos decidem se ajudar a superar o que tanto os consome e o que os exclui do convívio social.


David O. Russel decidiu por utilizar um drama pessoal de forma brilhante (seu filho sofre de transtorno bipolar), apresentando ao expectador as dificuldades de uma família em conviver com um filho que, há qualquer momento, pode ter atitudes destruidoras. Demonstra, ainda, o desafio que é para esse indivíduo se ressocializar, pois, às vistas da sociedade, ele é um doente agressor. Mas na verdade, o personagem sofre com a obsessão por uma mulher, que não mais o deseja e que o teme, e faz disso um amor platônico e infantil. Nesse meio tempo, Tiffany, igualmente transtornada, aparece na trama para mostrar que conhece e admite os próprios desequilíbrios e que podem supera-los juntos.

O diretor abusa de diálogos espetaculares, nos quais utiliza do artifício do campo/contracampo, assim como o de focos nos personagens, que, atrelados a interpretações elogiáveis, dão velocidade à cena, com um ritmo incessante, proporcionando a quem assiste a sensação de euforia, beirando a falta de ar. Muitas vezes se sente a dificuldade de acompanhar o desenrolar dos fatos, o que não compromete o entendimento, mas, apenas, aproxima o expectador do ambiente de crise. Vale lembrar, ainda, da utilização da câmera em movimento, com zooms repentinos em gestos e expressões que denotam à ansiedade e o desequilíbrio dos personagens, em especial em Pat e em seu pai.


O Lado bom da vida (vítima das péssimas adaptações de títulos, diga-se de passagem), portanto, tem como plano principal dramas pessoais, passionais e familiares, apresentados com humor na medida certa e atuações marcantes. Foi responsável, ainda, pelo retorno de Robert De Niro, que há um tempo não acerta em suas escolhas cinematográficas – vide sua interminável parceria com Bem Stiller -, agora em uma comédia romântica bem trabalhada, roubando a cena em praticamente todas as suas aparições.

Não se pode negar os vários clichês da trama, desde frases de efeito e idas e vindas amorosas à um número de dança como clímax da história. Também não posso deixar de falar que o final deixa a desejar, não estando à altura da trama original que se constrói. No entanto, o conjunto da obra traz uma abordagem interessante, com profundidade nos momentos de drama, sacadas inteligentes ao fazer comédia e personagens que fogem do padrão desse gênero, muitas vezes previsível. É um filme intrigante, com atuações excelentes, uma trilha sonora que encaixa perfeitamente em cada circunstância (destaque pra Led Zeppelin tocando em um dos momentos de fúria do protagonista) e usos de câmeras que marcam o ritmo veloz da história, o que denota uma direção exemplar.

O filme foi indicado a 8 Oscars nas categorias: Melhor FilmeMelhor ator (Bradley Cooper), Melhor atriz (Jennifer Lawrence), Melhor ator coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Atriz coadjuvante (Jacki Weaver), Melhor Diretor (David O. Russel), Melhor Roteiro Adaptado (David O. Russel) e Melhor montagem.