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25 setembro 2013

Das séries da minha vida - Parte 2.

Então, continuando as dicas de séries (vide Das séries da minha vida.), quis muito comentar aqui sobre alguns seriados que me caíram como boas surpresas durante este ano. Não sabia bem como classificá-los, são extremamente distintos, então encontrei alguma coisa em comum: o que me proporcionou assisti-los foi o Netflix. É, não tô ganhando nada com isso, mas não dá pra negar que esse é o serviço mais valioso dos últimos tempos pra quem gosta de séries e, principalmente, filmes, como eu. Então, lá vai. 


2. Top 3 das séries que conheci no Netflix.

#3 - Community



Normalmente não consigo gostar de séries de comédias. É, pode me chamar de mau humorada, de ranzinza, mas não me venha com aqueles seriados norte-americanos cheeeios de situações que, pra maioria do público, são engraçadas. Pra mim, não vai ser. Mas, a rotina, muitas vezes, me é tão cansativa, tão lotada de obrigações, que preciso de algo leve ao final do dia pra assistir. Então, após boas indicações, resolvi apostar em Community

Olha, quebrou todos os paradigmas. É, eu sou exagerada, mas prefiro dizer que sou empolgada com coisas que me surpreendem. 

A história se passa em uma universidade comunitária, instituição comum nos Estados Unidos. Sabe aquelas universidades consideradas para losers, que existem só pra você conseguir um diploma? Pois é. Logo no primeiro episódio, os personagens fixos, estudantes desta universidade no início do período letivo, nos são apresentados, com a exposição dos motivos de terem parado na Community, bem como das afinidades ou mesmo antipatias que cada um sente pelo outro.

Nisso, segue numa comédia inteligente, lotada de referências à cultura pop, cinema, música, literatura, mas sem aquele enaltecimento exagerado e às vezes até entediante que paira no mundo televisivo e cinematográfico nos últimos anos. Na verdade, essas referências ficam, principalmente, a cargo de Abed (Danny Pudi), indiano que sonha em ser cineasta. Sabe aqueles personagens que toda série de comédia tem, que não é o principal, mas é de quem todos os espectadores mais gostam? 

Mas esse papel não ficou apenas para Abed, pois Troy (Donald Glover) ganhou o público rapidinho. No entanto, não foi nem Abed, nem Troy que me tomaram, e sim o Mr. Chang (Ken Jeong), que ganhou minha completa afeição.

Destaque para o episódio Modern Warfare (Season 1) e o episódio Critical Film Studies (Season 2)Assistam, vai ser riso certo, com conteúdo.



#2 - Homeland




Gente, quando comecei a escrever sobre Homeland, me veio instantaneamente a música da abertura na minha mente. E tá aqui, como trilha sonora mental (essa ó).

Homeland nem foi uma surpresa tão enorme, pois o público já tinha feito um oba-oba grande em torno. Deixei pra lá, já tinha coisa demais pra me viciar. Acontece que, em um sábado desses de descanso, eu estava numa onda enorme de assistir filmes com a temática de guerra, campo de batalha, terrorismo, coisas do tipo. E procurei por algo inédito e nada. Perguntei pra amigos e nada. Já nessa busca, o Netflix me taca na cara Homeland. Não sabia do que se tratava, quando li a sinopse: era sobre as operações no Oriente Médio, é aqui mesmo que decidi ficar.

Perdi meu sábado. Assisti fucking 10 episódios seguidos em um dia (nem sempre sou tão desocupada assim, tá), sendo que são 12 na primeira temporada. Na outra semana já estava baixando e assistindo a segunda temporada.


A série é muito viciante (claro que pra quem gosta muito dessa temática, como eu). Gira em torno de uma operação especial da CIA, encabeçada por Carrie Mathinson (Claire Danes), para capturar o terrorista mais perigoso do mundo, Abu Nazir (se passa após a morte de Osama). Nestas circunstâncias, um prisioneiro de guerra, o soldado norte-americano Nicholas Brody (Damian Lewis), foi resgatado pela agência de inteligência, após 8 anos preso em um buraco no Iraque. No entanto, depois de recebido como um herói, Brody trouxe consigo segredos que se tornaram assuntos de segurança máxima para o país. 

Bom, a série tem seus defeitos. Tipo, um drama familiar de fundo meio entediante (e a culpada maior disso é a esposa de Brody, Jessica Brody, interpretada por Morena Baccarin, diga-se de passagem brasileira, que não deve pisar no Brasil desde os 2 meses de idade - mas a mídia ama dizer que ela é brasileira); acontecimentos um tanto quanto previsíveis e um enredo dificílimo de sustentar por várias temporadas, talvez com prazo de validade (curto, diga-se por sinal). Mas, com atuações muito boas, uma temática interessante, sendo também um passeio pela cultura e religião islâmica, além de um acerto incontestável nos momentos clímax da história. Não dá pra negar, é um baita de um suspense.

Confiram, e me digam o que acharam ;). 



#1 - Orange is the New Black





Acho que o motivo maior pra eu ter demorado a escrever esse post foi o meu receio de tornar meus comentários sobre OITNB exasperados, como costumo fazer com as coisas que gosto muito. Agora que chegou a hora, não sei tanto o que falar além de: meu deus que série é essa? 

Daí que menino Bertonie - Mascar - me chamou pra acompanharmos uma série nova juntos e a escolha foi Orange. Primeiro episódio, estávamos lá sem maiores pretensões e já torci o nariz: vejo logo Jason Biggs (sim, o queridinho de American Pie) e penso "Ah não! Essas comédias não." No entanto, o primeiro episódio já começa a mostrar que não é tão simples assim. 

Orange is the New Black é uma série produzida pelo Netflix, criada por Jenji Kohan (Weeds), conta a história de Piper Chapman (Taylor Schilling), noiva de Larry Bloom (Jason Biggs), que foi sentenciada a permanecer em uma penitenciária feminina federal por ter cometido um crime na juventude. É assim que começa o drama de Piper, mulher branca, da classe média norte-americana, que tem que se adaptar a um ambiente totalmente diferente, hostil e complexo.

Acontece que, apesar de Piper ser a principal, a protagonista vai perdendo o seu posto, e acredito que propositalmente, para as demais personagens. São figuras extremamente interessantes, com histórias de vida apaixonantes, ou mesmo destruidoras, com as quais você se apega de uma forma imensurável. Você toma as dores por cada drama, como o de Miss Claudette (Michelle Hurst)ri com figuras como Crazy Eyes (Uzo Aduba), se apega a Red (Kate Mulgrew) e se atrai pelo charme irresistível de Alex (Laura Prepon)

A série ainda aborda temas como o abuso sexual, que advém do flagrante machismo por parte dos policiais da penitenciária, além da homofobia/transfobia, ao expor a história de Sofia Burset (Laverne Cox), presidiária transexual.

É isso, Orange is the New Black foi uma das maiores surpresas que tive no ano e estou aguardando ansiosíssima pela segunda temporada.

Assistam, isso é uma ordem!!!

19 setembro 2013

Da necessidade de desabafar: Before Midnight



É, eu tô cansada, com sono e tenho que acordar cedinho amanhã pra trabalhar. No entanto, preciso desse desabafo pra conseguir dormir de verdade. Acabei de chegar da sessão de Antes da Meia-Noite (Before Midnight). 

O filme é de uma beleza arrepiante. Em todos os aspectos. 
É, gente, apesar de não ser tão adepta dos romances e suas variações, sou uma completa apaixonada pelos Befores.

Lembro quando assisti Antes do Amanhecer (1995), por indicação de um colega de muito bom gosto cinematográfico. Já me afeiçoei completamente com os personagens, o ambiente, os diálogos, percebendo claramente que se tratava de um dos filhos de Woody Allen. Mais do que uma influência, a trilogia mais me parece uma Ode ao diretor novaiorquino, mais especificamente a Annie Hall



Logo em seguida, me veio Antes do Pôr-do-Sol (2004). Esse foi, realmente arrebatador. O filme é um longo diálogo, que mostra os jovens românticos de "Sunrise" já amadurecidos, revelando o desfecho daquele primeiro encontro, passados dez anos. É uma Celine (Julie Delpy) e um Jesse (Ethan Hawke) já não tão românticos, absorvidos pela rotina diária e um tanto quanto desgastados no amor. Inclusive, essa Celine muito me é familiar (gosta de tirar um som no seu violão, apenas pra si e é fã de Nina Simone). 

Agora, os já completamente deslumbrados com os Before foram presenteados com o retorno de Celine e Jesse, passados mais dez anos. E, amigos, vê-los na telona (no meu caso, pela primeira vez), foi uma experiência estonteante. O cinema é mesmo mágico. Eu, que não sou das mais sensíveis em filmes de amor, nem mesmo com os mais fortes dramas, me emocionei, de chorar mesmo, com a simples visão deste casal dez anos mais velho, no cinema. Com uma vida construída, com novas crises e diálogos novamente geniais. Jesse, o quarentão com jeito de adolescente e Celine, a quarentona bem sucedida, independente, metida a feminista, com crises especialmente agoniantes ao espectador. 



Segue o roteiro de praxe, por meio de um diálogo entre o casal, agora acerca de uma nova fase da vida, tendo como plano de fundo uma paisagem belíssima, que acompanha o ritmo e até a sensação de cada assunto. 

Não posso deixar de expor uma cena maravilhosa, para mim a mais especial do filme, em que o diretor, que foi genial do início ao fim, junta em uma mesa de conversa sobre amor, sexo e relacionamento, casais de todas as gerações: dois senhores já viúvos, um homem e uma mulher casados há cerca de 15 anos, Céline e Jesse e um casal de namorados, em torno dos seus 22 anos. Neste momento, se discute sobre a evolução dos relacionamentos, nos quais o amor não é a prioridade, e sim a compreensão e a liberdade individual, expondo, ainda, o sexo "moderno". No entanto, o assunto é arrematado pela fala de uma idosa, viúva, que expõe, com toda sua experiência, um conceito de companheirismo e sentimento real que sobreviveu a todas as gerações. É de arrepiar. É pra levar pra vida. 

Além disso, vale ressaltar que neste filme, bem mais do que nos anteriores, ele apostou em uma comédia mais presente, na verdade em um melodrama pelo qual a lindíssima Julie Delpy se responsabilizou e fez maravilhosamente bem. 



Linklater (Escola do Rock) construiu uma trilogia da vida em tempo real. Talvez, de modo que ele mesmo tivesse respaldo, pela experiência adquirida, para poder escrever os diálogos sensacionais dos filmes. 

Gostaria de tê-los acompanhado como, acredito eu, o diretor/roteirista pretendia que todos acompanhassem. Aos 21, assistido Before Sunrise, momento de muita vontade de viver, de ter um grande amor. de se aventurar, de se arriscar. Aos 30, assistido Before Sunset, onde você conhece todas as demandas da vida, tem um emprego, nem sempre o que você sonhou, as contas e responsabilidades, uma esposa/marido, filhos, a realidade (não necessariamente cruel ou solitária, ainda, sem qualquer romance). E aos 40, assistido Before Midnight, momento de incertezas, no qual se pára e pensa: o quê que eu fiz da vida? A fase de se fazer um balanço, de refletir se o que você planejou aconteceu, assim como de perceber as enormes e difíceis escolhas que a vida te mostra. 

Confesso, e isso é bem pessoal, que aos 19, foi com a segunda Céline que me identifiquei. Em praticamente tudo. Mas digo aliviada que não cheguei à terceira Céline (espero que tenha muito chão pra andar!).

Enfim, estou ainda emocionada e desejo a todos a possibilidade de acompanhar essa trilogia e sentir tudo (e até mais) o que o último, Antes da meia-noite, me proporcionou. 

Desculpem o jeito rápido de escrever, o sono bateu de verdade. 

15 agosto 2013

Das séries da minha vida.

Acontece que eu ando mais atualizada com séries do que com filmes. Mas se atualizar com séries pega um tempo enorme da sua vida. Algumas vezes vale a pena. Então, vou fazer três listas de dicas aqui pra vocês (das que eu conheço, claro). 

Lembrem-se: estou longe de ser grande conhecedora de séries, o que vou expor aqui é totalmente passional.

Enjoy it! 

1. Top 3 das melhores séries da atualidade (leia-se: séries do meu coração). 

# 3 - Doctor Who 





Doctor Who é uma série britânica () que reúne diversos elementos da ficção, como extraterrestres, seres mágicos, figuras lendárias, com figuras reais e históricas de uma forma espetacular e com o toque inglês apaixonante. Não é tão recente assim. A fase atual começou a ser exibida em 2005, atingindo, incialmente, um público mais restrito de fãs de ficção cientifica. No entanto, ouso dizer que nem precisa ser um fã de ficção assim para se apaixonar por Doctor. Fora alguns clássicos, sou exemplo de quem torce o nariz pra esse gênero, mas que deu uma chance à série e hoje está entre os meus vícios. Os episódios trazem em si diversas referências a arte, literatura, cinema, música, além das figuras britânicas famosas (Harry Potter, Rainha Elisabeth), sendo as mais constantes (e excitantes) as lembranças a Arthur Dent e seu Guia dos Mochileiros da Galáxia. 

Na verdade a série é dos anos 60, tendo sido relançada em 2005, com o 9th Doctor, interpretado por Christopher Eccleston (Extermínio), 2006, com o 10th Doctor, com David Tennant (Harry Potter), 2009, com o 11th, com Matt Smith e o mais recente escolhido 12th Doctor, por Peter Capaldi. Na verdade, ainda há muito, mas muito a se falar de Doctor Who, que em breve terá um post próprio. 

# 2 - Breaking Bad




Genial. Espetacular. 
Não tenho como descrever essa série sem ser óbvia ou até piegas. Mas é praticamente empate com minha série #1. Comecei a assisti-la sem tantas expectativas, já que nunca espero tanta novidade de algo tão comentado, ou mesmo superdimensionado. Mas, nesse caso, não é superdimensão. É a realidade. 

De forma intrigante, conta a história de Walter White, professor de química, pai de família, classe média do sul dos Estados Unidos que descobre que está com câncer em estado terminal. Diante da notícia, se desespera, o que o faz buscar qualquer meio de deixar algum fundo para sua família após a morte. E a escolha foi aliar o seu enorme conhecimento em química a algo que gerasse dinheiro em um prazo curto de tempo: metanfetaminas. 

O desenrolar da trama é excepcional. E, diferente das mais populares séries norte-americanas, não é apenas o roteiro de suspense que importa, não é apenas deixar o espectador curioso à espera do próximo episódio. É também se utilizar de uma direção com pontos conceituais, cortes cinematográficos, além do elenco incrível. Enfim, todo elogio a Breaking Bad é pouco. 

# 1 - Downton Abbey




Ah, os britânicos... Downton Abbey é uma série que talvez não atinja a todos. Mas, não a subestime pela sua sinopse. Tem como ponto inicial o funcionamento de uma casa da aristocracia inglesa do interior, na passagem dos séculos XIX e XX. Parece fútil, não é? Não parece tão intrigante para uma série, não é? Não se engane. 

Downton Abbey me impressionou a cada episódio em que eu notava a preciosidade da direção, de cada corte, figurino, fotografia, elementos estes quase nunca priorizados nos seriados. Afinal, esse gênero de mídia tem como cerne o roteiro que intriga ou faz com que o espectador se apegue, a ponto de esperar ansiosamente por cada episódio. 

Eu facilmente vicio em séries, sou um ótimo público alvo até para as ruins - exceto comédias (falarei disso em um post a parte). Mas, ao assistir Downton, me surpreendi com a qualidade que pode ser dada ao gênero, sem perder seu poder de intrigar, de apegar, de surpreender. Você se apega a cada personagem, de modo a sofrer com seus muitos dramas como se fossem seus. É uma série completa, em seu aspecto técnico, no elenco, no visual, na trilha sonora e no roteiro.

Não posso deixar de citar a linda da Meg Smith (Harry Potter), que brilha como nunca! Enfim, assistam e se encantem. 


Só pra deixar registrado, tenho séries que há muito estão no meu coração e pra sempre estarão (House, Dexter e Prision Break). Não as citei, pois queria um post com maiores novidades, bem como com as últimas surpresas boas que tive com esse gênero. 

To be continued... 


17 fevereiro 2013

"D-J-A-N-G-O. O D é mudo."



E finalmente estou aqui falando, já completamente passional, de Tarantino. Não só isso! É da sua volta às telas de cinema. E como eu já falei em outras oportunidades no blog (e pretendo melhor expor isso em, quem sabe, uma série Tarantino), Quentin é meu preferido. Mas hoje vim aqui pra falar de Django Livre!

Quem conhece seu histórico, sabe que o diretor tem características super marcantes e que quebrou um pouco dessa linha com Bastardos Inglórios. É um filme genial, com diversos toques tarantinescos e atuações excelentes. Mas se percebe facilmente que foi uma ruptura de estilo, pois é dotado de mais preocupação técnica, cortes estratégicos, ambientes realistas, um ar de seriedade e diálogos mais específicos. Bom, estou falando disso porque notei que em Django, ao mesmo tempo que, em comum a Bastardos, é um roteiro que expõe um momento histórico de massacre e preconceito, dotado de críticas ferrenhas, bem como conta uma história de "caça" e vingança, também é composto pelas tão constantes referências e influências que o diretor, de forma original, sempre inclui em suas obras (e que ficaram de molho desde Kill Bill e Death Proof).



O filme se inicia em 1858, dois anos antes da Guerra Civil dos Estados Unidos, em um ambiente escravocrata, segregador e racista do sul norte-americano. Dr. Schutz (Chritoph Waltz), um ex dentista alemão caçador de recompensas está à procura de um escravo chamado Django (Jammie Fox), que conhece três fugitivos oficiais os quais ele quer capturar, matar e trocar por recompensa. Nas suas andanças, encontra o negro acorrentado a outros escravos, que serão vendidos por comerciantes sulistas. Já nessa primeira cena, o diretor dá aquele gostinho bom aos seus admiradores e conhecedores de sua obra, com muito sarcasmo e, principalmente, tiros e jorradas de sangue inexplicáveis.


Ao juntar-se com Dr. Schutz, um branco inconformado com o tratamento animalesco dado aos negros naquela região, Django é liberto e toma gosto pela ocupação do alemão: matar bandidos por dinheiro. Além disso, ele tem um propósito: achar sua esposa, Broomhilda, que foi vendida a uma das maiores fazendas do sul. Ao chegar nas ricas terras do jovem Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), Django faz o papel de comprador de negros e companheiro de Schultz, para ludibriar o não tão inteligente senhor de escravos, mas que não perde a pose, tentando aparentar conhecedor e culto. No entanto, não contavam com a mente por trás de Calvin, Stephen (Samuel L. Jackson), um negro perspicaz e bajulador, com total influência na casa grande. E entre tiros, sangue e muito sarcasmo se faz o ato heroico de Django.


esse sangue não é tarantinesco hein gente, é do próprio DiCaprio rs

Django Livre é um balde cheio de ironia, no qual Tarantino retratou uma sociedade extremamente segregadora, onde os negros eram comercializados nas feiras e tratados como animais domésticos. Destaque para uma das falas de Stephen, um negro racista, que remete à continuidade dessa segregação nos tempos, com a exploração das próximas gerações. E que personagem genial esse, com uma atuação impecável de L. Jackson. Já  Waltz vem incrível, admirável e digno de aplausos como o libertador e caçador de recompensas, mas não dá pra deixar de mencionar que é um retrato idêntico, mas ideologicamente às avessas, do espetacular Landa, de Bastardos. DiCaprio, com seu primeiro vilão, cumpriu o seu papel e foi bem encaixado naquela figura do mimado e sádico senhor de escravos, que se delicia ao ver dois negros se matando da forma mais cruel. 

Em sua nova obra, Tarantino tem toda a liberdade para explorar sua conhecida violência, que nem tanto causa ojeriza, mas muitas vezes faz rir, devido aos jatos de sangue e tiros enormes e inesperados, o que demonstra que, mesmo estando em uma fase bem mais madura, não deixa suas influências do trash pra trás. Aliás, verossimilhança nunca foi grande preocupação sua (vide Kill Bill). Utilizou bastante do seu tão conhecido zoom in com a câmera, ao apresentar personagens importantes (o Candie, por exemplo), o que fez lembrar tanto do seu histórico cinematográfico. Ainda, homenageou os velhos westerns spaghettis, que tanto admira e onde muito se inspira. E quanto bom humor! (brinca até com a Klu Klux Kan!). Destaque pra sua referência ao criador do personagem Django dos anos 60, Franco Nero, que aparece no filme em um diálogo super inteligente com Foxx, no qual este explica a pronúncia do seu nome, já tão conhecida pelo velho ator de westerns. Por fim, menciono a trilha sonora, escolhida brilhantemente, incluindo até rap no meio do velho oeste.


Foxx e Franco Nero

Confesso que, como nem tudo pode ser perfeito (nem o mestre!), senti muita falta de uma mulher "tarantinesca", forte, destemida, corajosa e violenta, tão presente na maior parte da obra do diretor. A mulher mais central da trama, Broomhilda, tem um papel de mera princesa trancada num castelo, à espera do seu príncipe negro.  

Mas, fora isso, Django veio pra mostrar o quanto Tarantino ainda pode criar e fazer seus fãs se arrepiarem e vibrarem nas cadeiras dos cinemas, com suas tão conhecidas referências, mas sempre originais e cheias de sarcasmo, violência gratuita e bom humor. 

Django Unchained foi indicado a cinco Oscars, sendo eles Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição de Som e Melhor Fotografia.



26 fevereiro 2012

Oscar 2012 e A invenção de Hugo Cabret



Hugo é um garoto que vive na Paris dos anos 30 e aprendeu a consertar todos os tipos de relógios com pai (interpretado por Jude Law). Porém, devido a uma tragédia, ficou sozinho e passou a morar na estação de trem, onde se esconde para não ser mandado pro orfanato. Passava a vida dando corda nos relógios da estação, consertando coisas e, principalmente, tentando consertar uma máquina que seu pai deixara inacabado: um autômato, uma espécie de robô antigo, que necessita de uma chave específica para seu funcionamento. Isso é bem importante, pois Hugo acredita que seu pai deixou uma mensagem no autômato. Porém, o seu caderno que o auxiliava foi tomado por um homem que tinha uma loja de consertos. Desesperado, Hugo conta com a ajuda de Isabelle (Cloe Moretz), afilhada do homem, para conseguir seu caderno, mas descobre que há muito mais nessa história toda.


A invenção de Hugo Cabret ganhou meu coração, pra sempre. No Oscar (que começa já já), minha razão tá com O Artista, mas meu coração é todo de Hugo. Na verdade, esse filme é uma grande ode à história do cinema, no qual usa de uma ficção brilhante atrelada a um personagem que realmente existiu: George Meliés, um dos pioneiros no cinema, e primeiro a usar efeitos especiais. Meliès queria fazer do cinema um sonho, ousou, e se tornou um dos nomes mais importantes da história da Sétima Arte. O filme é a homenagem mais completa, sensível e original ao cinema dos últimos tempos (com mérito também ao livro, que se tornou minha prioridade máxima na lista de "Quero ler").

Além de tudo, Scorsese você merece ser admirado por esse filme. Assim, tenho algumas ressalvas com o Scorsese, depois posso postar sobre explicando o porquê. E na verdade, são muitas ressalvas, mas só com sua obra pós anos 90. Mas eu o admiro, muito, muito mesmo, pelo 3D incrível feito no filme, sem largar em momento algum a adaptação, as imagens, a técnica, muitas vezes hoje deixada de lado em prol dos efeitos.


E NO MAIS GALERA OSCAR AGORA VAMOS!

Olhem, STREAMING do Red Carpet AQUI!

Link pra transmissão do Oscar na TNT BRASIL a partir das 21hs AQUI.

E LIVEBLOGGIN NO OUTRO BLOG GALERA!!! VÃO AO Verborragia e participem!

Enfim, esse post foi feito meio nas pressas, não poderia deixar passar sem falar do meu favorito. 

And the Oscar goes to... 

13 janeiro 2012

Moon spilling in and I wake up alone...

Resolvi usar essa data propositalmente pra voltar com os posts de vez no Sophie. Primeiro, vocês notaram que eu mudei completamente o visual dele né? Espero que tenham gostado. Segundo, que eu o larguei por muito tempo, como já disse, por vários motivos.
E me desafiei a conseguir atualizá-lo regularmente nesse ano. E irei fazê-lo. E devido a esse tempo, deixei atrasar alguns assuntos essenciais, dentre eles o lançamento de Amy Winehouse Lioness: Hidden Treasures, álbum póstumo de Amy Winehouse (os antigos já me conhecem, mas pra quem é novo por aqui, sou uma enorme admiradora de Amy).


Meu presente lindo de natal. Ganhei o Lioness depois de, tê-lo visto na loja e ter tido quase uma síncope. Não sabia que, no dia, já tinha sido lançado no Brasil.




E, voltando ao que eu falei no início do post, essa data dialoga diretamente com o assunto. Hoje fez um ano do show de Amy em Recife. Show esse, em 13 de janeiro de 2011, que fui, que eu, um amigo e uma amiga nos jogamos de Fortaleza pra lá (não é tão longe assim) pra ter o prazer, a sensação indescritível de presenciar esse espetácuo, de muita música boa. Sim, pois no show de Recife, mesmo com seus momentos já conhecidos, mesmo com uma quedinha aqui, uma corridinha ali, ela, sua banda incrível e seus back in vocals fizeram um show lindo. Inesquecível.




foi o máximo que a gente conseguiu, em meio a tremedeiras, gritos e lágrimas


O show foi completo, o maior setlist dos shows dela no Brasil e o menos conturbado também. Além disso, ela cantou a música que eu mais gosto e que NÃO estava na lista divulgada, Wake up Alone, morri? Lembro de cada momento, cada segundo desse show. E parece que a ficha não vai cair, nunca.








Então, vamos ao álbum. No encarte do cd tem uma parte onde Mark Ronson e SaLaAM ReMi, produtores que a acompanharam desde o início, escrevem um breve comentário sobre a escolha de cada música do disco. Vou comentar com um pouco do que ele fala e um pouco de mim. Os comentários vão ser completamente parciais, passionais e o comprometimento é com o que eu sinto ao ouvi-lo, estão avisados.


contra capa do encarte de Amy Winehouse Lioness




Our day will come
Our day will come by Amy Winehouse on Grooveshark

Gostei muito dessa música. Me pareceu sincera, era nesse estilo que Amy queria moldar seu terceiro álbum, com a pegada do reggae que já ouvimos em músicas do Frank e do Back to Black (vide Just Friends). Na época que ela passou um tempo de férias/recuperação no Caribe, até surgiram notícias de que ela queria seu novo CD todo banhado a reggae, mas sua produtora vetou.

Between the Cheats
Between The Cheats by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa foi à "primeira escutada" a minha preferida. Eu me lembro que gosto de Amy desde o início, com menos notíciais, com menos drogas, com menos tatuagens, até com menos estilo, mas sempre com muita voz, talento e originalidade. Mas lembro também o momento que passei a admira-la completamente, aquele momento que você toma o artista pra ídolo. Foi no segundo álbum, ao assistir 'ao vivos' dela, com sua banda saída de um bairro negro dos anos 50 e aqueles back in vocals engrandecendo o que já era lindo. Essa música tem a pegada jazz, R&B, back in vocals, anos 50 excitante, espetacular. Foi composta por ela para o terceiro álbum, e dá um gosto de 'pô, porque? porque não deu tempo lançá-lo?'.

Tears Dry (Original Version)
Tears Dry (Original Version) by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa é a versão demo de Tears Dry on their own do Back to black. E eu ouvi as duas, várias vezes seguidas, alternando-as e não consegui decidir qual a que mais me agradava. No encarte ReMi fala que Amy começou a escrevê-la sentada no jardim da casa dele, e que incialmente se chamaria Darkness "All I can ever be to you, Is a darkness that we knew and this regret I got accustomed to". Mas uma semana depois ela chegou com sua guitarra e a cantou toda, se tornou Tears Dry, originalmente uma balada que Amy preferiu depois incorporar à vibe Motown e se tornou a faixa de Back to black e, posteriormente, um de seus singles.

Will you still love me tomorrow?

Will You Still Love Me Tomorrow? (2011) by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa é a demo de Will you still love me tomorrow. Confesso que prefiro a primeira versão que ouvi, que é essa, praticamente voz, violão e umas batidas sutis, mas é que quanto maior a mágoa, mas me atrai rs. Mark Ranson diz que ela chegou pra ele e disse "turn the harp down, it sounds like fucking Mariah Carey".

Like Smoke
Like Smoke by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

"Never wanted you to be my man, I just needed company - like smoke". Apenas isso.

Valerie
Valerie ('68 Version) by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa foi a primeira versão que ela fez de Valerie, linda, eu amo essa música cantada por ela, amo! Mark diz também que foi a gravação preferida de Amy.

The Girl from Ipanema
The Girl From Ipanema by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa faixa é um grande motivo da repercussão tão grande desse album no Brasil né? Até pros TT's no twitter a música foi. Mas é Amy cantando Garota de Impanema, ela já costumava interpretar o clássico da bossa nova e por influência de ReMi, ela a gravou. E ficou linda. Amy já tinha sido filmada cantando essa música num pub em Londres com um brasileiro, mas você só entende grunidos. Esse video rodou muito por aqui.

Half Times
Half Time by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa música parece muito com o álbum Frank. E na verdade nela ela cita Frank Sinatra e esse é um dos motivos pro álbum se chamar Frank. Só deus sabe porque que não entrou no álbum.

Wake up alone
Wake Up Alone (Original Recording) by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa é minha música preferida da Amy, como já disse lá em cima. Essa versão foi a primeira música gravada pro Back to Black. Ela conseguiu o quase impossível feito de deixá-la com mais mágoa. Mas eu gosto mais da do cd, adoro a guitarra e o ritmo dado ao ser finalizada.

Best Friend, right?
Best Friends, Right? by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

Essa foi a primeira música que ouvi da Amy, há muito tempo, numa rádio que nem existe mais, que costumava tocar essas músicas que nenhuma toca. Essas 'músicas para deixar o ambiente agradável' sabe? Já gostei desde o início da vibe. E fui atrás, uns tempos depois de algum video pra saber de quem era. E ta aqui um video lindo, pra quem não a conheceu em sua fase mais clean, quase uma adolescente.



Body and Soul with Tony Bennet
Body And Soul by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark


Cover lindo, de um jazz dos anos 40 com o Tony Bennet dando elegância no lance. Foi gravado no estúdio Abbey Road, em Março de 2011 e produzido por Phil Ramone.

A song for you
A Song For You by Amy Winehouse - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark

É uma versão, escrita por Leon Russel que já foi feita anteriormente por vários outros artistas, como The Carpenters, Ray Charles e Donny Hathaway, cantor preferido de Amy. ReMi conta que, certo dia, enquanto trabalhavam em uma musica do terceiro album, Amy começou a cantar A song for you, apenas voz e violão. E que ele podia setir muita emoção em sua voz. Que sentados, juntos, vieram às lágrimas ao perceber o que aquela letra significava e o quanto ela refletia em suas vidas. E realmente, essa música tem uma das letras mais lindas que já ouvi.

"You came out in front and I was hiding
But now I'm so much better and if my words don't come together
Listen to the melody cause my love is in there hiding"

15 dezembro 2010

Little Girl Blue




Janis Lyn Joplin nasceu nos Estados Unidos, em Port Artur, em 19 de janeiro de 1943, foi intérprete e compositora de blues/rock de uma geração sem precedentes e, principalmente, sem continuadores a altura, de músicos. Desde o início da carreira já manteve uma vida desregrada, com muito álcool e drogas, principalmente a heroína, a qual foi causa de sua morte e de tantos outras lendas do rock nos anos 70. Por sinal, assim como os anos 60 trouxeram para o mundo preciosidades que deixaram seu legado e até hoje encantam e influenciam, nos anos 70 tais monstros da música decaíram (Jimi Hendrix também morreu em 1970 e Jim Morrison em 1971).


esse vídeo me é meio entorpecente

Sim, meio entorpecente, encantador, ébrio. São contrastes, paradoxos. Tristeza, alegria, euforia, dormência, melancolia, vazio, completo. Uma vontade de viver cada nota de guitarra, cada agudo da voz inigualável. Música faz isso comigo. Janis faz isso comigo. Solos de guitarra fazem isso comigo. É a magia, meio como uma embriaguez... é o máximo que eu posso dizer pra explicar a música de Janis na minha vida.


"Tudo é sentimento... como sexo, só que mais abrangente. É uma mistura de amor, desejo e calor; aquela coisa em nossos corpos que todos nós sacamos... Quando estou cantando não penso. Só fico ali, com os olhos fechados, sentindo, me sentindo bem."

Janis Joplin em uma entrevista a Hubert Saal do Newsweek em 24 de fevereiro de 1969.

Por fim, Summertime, o famoso blues, eternizado em sua voz única e na guitarra de Jimi Hendrix (eu amo essa música mais do que vocês possam imaginar)


"Se você não quer nada, não se conforma, você não sente dor, sofrimento. Blues é querer uma coisa que você não tem." Janis Joplin

P.S Em 4 de outubro de 2010 fez 30 anos de morte de Janis Joplin.



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