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25 setembro 2013

Das séries da minha vida - Parte 2.

Então, continuando as dicas de séries (vide Das séries da minha vida.), quis muito comentar aqui sobre alguns seriados que me caíram como boas surpresas durante este ano. Não sabia bem como classificá-los, são extremamente distintos, então encontrei alguma coisa em comum: o que me proporcionou assisti-los foi o Netflix. É, não tô ganhando nada com isso, mas não dá pra negar que esse é o serviço mais valioso dos últimos tempos pra quem gosta de séries e, principalmente, filmes, como eu. Então, lá vai. 


2. Top 3 das séries que conheci no Netflix.

#3 - Community



Normalmente não consigo gostar de séries de comédias. É, pode me chamar de mau humorada, de ranzinza, mas não me venha com aqueles seriados norte-americanos cheeeios de situações que, pra maioria do público, são engraçadas. Pra mim, não vai ser. Mas, a rotina, muitas vezes, me é tão cansativa, tão lotada de obrigações, que preciso de algo leve ao final do dia pra assistir. Então, após boas indicações, resolvi apostar em Community

Olha, quebrou todos os paradigmas. É, eu sou exagerada, mas prefiro dizer que sou empolgada com coisas que me surpreendem. 

A história se passa em uma universidade comunitária, instituição comum nos Estados Unidos. Sabe aquelas universidades consideradas para losers, que existem só pra você conseguir um diploma? Pois é. Logo no primeiro episódio, os personagens fixos, estudantes desta universidade no início do período letivo, nos são apresentados, com a exposição dos motivos de terem parado na Community, bem como das afinidades ou mesmo antipatias que cada um sente pelo outro.

Nisso, segue numa comédia inteligente, lotada de referências à cultura pop, cinema, música, literatura, mas sem aquele enaltecimento exagerado e às vezes até entediante que paira no mundo televisivo e cinematográfico nos últimos anos. Na verdade, essas referências ficam, principalmente, a cargo de Abed (Danny Pudi), indiano que sonha em ser cineasta. Sabe aqueles personagens que toda série de comédia tem, que não é o principal, mas é de quem todos os espectadores mais gostam? 

Mas esse papel não ficou apenas para Abed, pois Troy (Donald Glover) ganhou o público rapidinho. No entanto, não foi nem Abed, nem Troy que me tomaram, e sim o Mr. Chang (Ken Jeong), que ganhou minha completa afeição.

Destaque para o episódio Modern Warfare (Season 1) e o episódio Critical Film Studies (Season 2)Assistam, vai ser riso certo, com conteúdo.



#2 - Homeland




Gente, quando comecei a escrever sobre Homeland, me veio instantaneamente a música da abertura na minha mente. E tá aqui, como trilha sonora mental (essa ó).

Homeland nem foi uma surpresa tão enorme, pois o público já tinha feito um oba-oba grande em torno. Deixei pra lá, já tinha coisa demais pra me viciar. Acontece que, em um sábado desses de descanso, eu estava numa onda enorme de assistir filmes com a temática de guerra, campo de batalha, terrorismo, coisas do tipo. E procurei por algo inédito e nada. Perguntei pra amigos e nada. Já nessa busca, o Netflix me taca na cara Homeland. Não sabia do que se tratava, quando li a sinopse: era sobre as operações no Oriente Médio, é aqui mesmo que decidi ficar.

Perdi meu sábado. Assisti fucking 10 episódios seguidos em um dia (nem sempre sou tão desocupada assim, tá), sendo que são 12 na primeira temporada. Na outra semana já estava baixando e assistindo a segunda temporada.


A série é muito viciante (claro que pra quem gosta muito dessa temática, como eu). Gira em torno de uma operação especial da CIA, encabeçada por Carrie Mathinson (Claire Danes), para capturar o terrorista mais perigoso do mundo, Abu Nazir (se passa após a morte de Osama). Nestas circunstâncias, um prisioneiro de guerra, o soldado norte-americano Nicholas Brody (Damian Lewis), foi resgatado pela agência de inteligência, após 8 anos preso em um buraco no Iraque. No entanto, depois de recebido como um herói, Brody trouxe consigo segredos que se tornaram assuntos de segurança máxima para o país. 

Bom, a série tem seus defeitos. Tipo, um drama familiar de fundo meio entediante (e a culpada maior disso é a esposa de Brody, Jessica Brody, interpretada por Morena Baccarin, diga-se de passagem brasileira, que não deve pisar no Brasil desde os 2 meses de idade - mas a mídia ama dizer que ela é brasileira); acontecimentos um tanto quanto previsíveis e um enredo dificílimo de sustentar por várias temporadas, talvez com prazo de validade (curto, diga-se por sinal). Mas, com atuações muito boas, uma temática interessante, sendo também um passeio pela cultura e religião islâmica, além de um acerto incontestável nos momentos clímax da história. Não dá pra negar, é um baita de um suspense.

Confiram, e me digam o que acharam ;). 



#1 - Orange is the New Black





Acho que o motivo maior pra eu ter demorado a escrever esse post foi o meu receio de tornar meus comentários sobre OITNB exasperados, como costumo fazer com as coisas que gosto muito. Agora que chegou a hora, não sei tanto o que falar além de: meu deus que série é essa? 

Daí que menino Bertonie - Mascar - me chamou pra acompanharmos uma série nova juntos e a escolha foi Orange. Primeiro episódio, estávamos lá sem maiores pretensões e já torci o nariz: vejo logo Jason Biggs (sim, o queridinho de American Pie) e penso "Ah não! Essas comédias não." No entanto, o primeiro episódio já começa a mostrar que não é tão simples assim. 

Orange is the New Black é uma série produzida pelo Netflix, criada por Jenji Kohan (Weeds), conta a história de Piper Chapman (Taylor Schilling), noiva de Larry Bloom (Jason Biggs), que foi sentenciada a permanecer em uma penitenciária feminina federal por ter cometido um crime na juventude. É assim que começa o drama de Piper, mulher branca, da classe média norte-americana, que tem que se adaptar a um ambiente totalmente diferente, hostil e complexo.

Acontece que, apesar de Piper ser a principal, a protagonista vai perdendo o seu posto, e acredito que propositalmente, para as demais personagens. São figuras extremamente interessantes, com histórias de vida apaixonantes, ou mesmo destruidoras, com as quais você se apega de uma forma imensurável. Você toma as dores por cada drama, como o de Miss Claudette (Michelle Hurst)ri com figuras como Crazy Eyes (Uzo Aduba), se apega a Red (Kate Mulgrew) e se atrai pelo charme irresistível de Alex (Laura Prepon)

A série ainda aborda temas como o abuso sexual, que advém do flagrante machismo por parte dos policiais da penitenciária, além da homofobia/transfobia, ao expor a história de Sofia Burset (Laverne Cox), presidiária transexual.

É isso, Orange is the New Black foi uma das maiores surpresas que tive no ano e estou aguardando ansiosíssima pela segunda temporada.

Assistam, isso é uma ordem!!!

19 setembro 2013

Da necessidade de desabafar: Before Midnight



É, eu tô cansada, com sono e tenho que acordar cedinho amanhã pra trabalhar. No entanto, preciso desse desabafo pra conseguir dormir de verdade. Acabei de chegar da sessão de Antes da Meia-Noite (Before Midnight). 

O filme é de uma beleza arrepiante. Em todos os aspectos. 
É, gente, apesar de não ser tão adepta dos romances e suas variações, sou uma completa apaixonada pelos Befores.

Lembro quando assisti Antes do Amanhecer (1995), por indicação de um colega de muito bom gosto cinematográfico. Já me afeiçoei completamente com os personagens, o ambiente, os diálogos, percebendo claramente que se tratava de um dos filhos de Woody Allen. Mais do que uma influência, a trilogia mais me parece uma Ode ao diretor novaiorquino, mais especificamente a Annie Hall



Logo em seguida, me veio Antes do Pôr-do-Sol (2004). Esse foi, realmente arrebatador. O filme é um longo diálogo, que mostra os jovens românticos de "Sunrise" já amadurecidos, revelando o desfecho daquele primeiro encontro, passados dez anos. É uma Celine (Julie Delpy) e um Jesse (Ethan Hawke) já não tão românticos, absorvidos pela rotina diária e um tanto quanto desgastados no amor. Inclusive, essa Celine muito me é familiar (gosta de tirar um som no seu violão, apenas pra si e é fã de Nina Simone). 

Agora, os já completamente deslumbrados com os Before foram presenteados com o retorno de Celine e Jesse, passados mais dez anos. E, amigos, vê-los na telona (no meu caso, pela primeira vez), foi uma experiência estonteante. O cinema é mesmo mágico. Eu, que não sou das mais sensíveis em filmes de amor, nem mesmo com os mais fortes dramas, me emocionei, de chorar mesmo, com a simples visão deste casal dez anos mais velho, no cinema. Com uma vida construída, com novas crises e diálogos novamente geniais. Jesse, o quarentão com jeito de adolescente e Celine, a quarentona bem sucedida, independente, metida a feminista, com crises especialmente agoniantes ao espectador. 



Segue o roteiro de praxe, por meio de um diálogo entre o casal, agora acerca de uma nova fase da vida, tendo como plano de fundo uma paisagem belíssima, que acompanha o ritmo e até a sensação de cada assunto. 

Não posso deixar de expor uma cena maravilhosa, para mim a mais especial do filme, em que o diretor, que foi genial do início ao fim, junta em uma mesa de conversa sobre amor, sexo e relacionamento, casais de todas as gerações: dois senhores já viúvos, um homem e uma mulher casados há cerca de 15 anos, Céline e Jesse e um casal de namorados, em torno dos seus 22 anos. Neste momento, se discute sobre a evolução dos relacionamentos, nos quais o amor não é a prioridade, e sim a compreensão e a liberdade individual, expondo, ainda, o sexo "moderno". No entanto, o assunto é arrematado pela fala de uma idosa, viúva, que expõe, com toda sua experiência, um conceito de companheirismo e sentimento real que sobreviveu a todas as gerações. É de arrepiar. É pra levar pra vida. 

Além disso, vale ressaltar que neste filme, bem mais do que nos anteriores, ele apostou em uma comédia mais presente, na verdade em um melodrama pelo qual a lindíssima Julie Delpy se responsabilizou e fez maravilhosamente bem. 



Linklater (Escola do Rock) construiu uma trilogia da vida em tempo real. Talvez, de modo que ele mesmo tivesse respaldo, pela experiência adquirida, para poder escrever os diálogos sensacionais dos filmes. 

Gostaria de tê-los acompanhado como, acredito eu, o diretor/roteirista pretendia que todos acompanhassem. Aos 21, assistido Before Sunrise, momento de muita vontade de viver, de ter um grande amor. de se aventurar, de se arriscar. Aos 30, assistido Before Sunset, onde você conhece todas as demandas da vida, tem um emprego, nem sempre o que você sonhou, as contas e responsabilidades, uma esposa/marido, filhos, a realidade (não necessariamente cruel ou solitária, ainda, sem qualquer romance). E aos 40, assistido Before Midnight, momento de incertezas, no qual se pára e pensa: o quê que eu fiz da vida? A fase de se fazer um balanço, de refletir se o que você planejou aconteceu, assim como de perceber as enormes e difíceis escolhas que a vida te mostra. 

Confesso, e isso é bem pessoal, que aos 19, foi com a segunda Céline que me identifiquei. Em praticamente tudo. Mas digo aliviada que não cheguei à terceira Céline (espero que tenha muito chão pra andar!).

Enfim, estou ainda emocionada e desejo a todos a possibilidade de acompanhar essa trilogia e sentir tudo (e até mais) o que o último, Antes da meia-noite, me proporcionou. 

Desculpem o jeito rápido de escrever, o sono bateu de verdade. 

15 agosto 2013

Das séries da minha vida.

Acontece que eu ando mais atualizada com séries do que com filmes. Mas se atualizar com séries pega um tempo enorme da sua vida. Algumas vezes vale a pena. Então, vou fazer três listas de dicas aqui pra vocês (das que eu conheço, claro). 

Lembrem-se: estou longe de ser grande conhecedora de séries, o que vou expor aqui é totalmente passional.

Enjoy it! 

1. Top 3 das melhores séries da atualidade (leia-se: séries do meu coração). 

# 3 - Doctor Who 





Doctor Who é uma série britânica () que reúne diversos elementos da ficção, como extraterrestres, seres mágicos, figuras lendárias, com figuras reais e históricas de uma forma espetacular e com o toque inglês apaixonante. Não é tão recente assim. A fase atual começou a ser exibida em 2005, atingindo, incialmente, um público mais restrito de fãs de ficção cientifica. No entanto, ouso dizer que nem precisa ser um fã de ficção assim para se apaixonar por Doctor. Fora alguns clássicos, sou exemplo de quem torce o nariz pra esse gênero, mas que deu uma chance à série e hoje está entre os meus vícios. Os episódios trazem em si diversas referências a arte, literatura, cinema, música, além das figuras britânicas famosas (Harry Potter, Rainha Elisabeth), sendo as mais constantes (e excitantes) as lembranças a Arthur Dent e seu Guia dos Mochileiros da Galáxia. 

Na verdade a série é dos anos 60, tendo sido relançada em 2005, com o 9th Doctor, interpretado por Christopher Eccleston (Extermínio), 2006, com o 10th Doctor, com David Tennant (Harry Potter), 2009, com o 11th, com Matt Smith e o mais recente escolhido 12th Doctor, por Peter Capaldi. Na verdade, ainda há muito, mas muito a se falar de Doctor Who, que em breve terá um post próprio. 

# 2 - Breaking Bad




Genial. Espetacular. 
Não tenho como descrever essa série sem ser óbvia ou até piegas. Mas é praticamente empate com minha série #1. Comecei a assisti-la sem tantas expectativas, já que nunca espero tanta novidade de algo tão comentado, ou mesmo superdimensionado. Mas, nesse caso, não é superdimensão. É a realidade. 

De forma intrigante, conta a história de Walter White, professor de química, pai de família, classe média do sul dos Estados Unidos que descobre que está com câncer em estado terminal. Diante da notícia, se desespera, o que o faz buscar qualquer meio de deixar algum fundo para sua família após a morte. E a escolha foi aliar o seu enorme conhecimento em química a algo que gerasse dinheiro em um prazo curto de tempo: metanfetaminas. 

O desenrolar da trama é excepcional. E, diferente das mais populares séries norte-americanas, não é apenas o roteiro de suspense que importa, não é apenas deixar o espectador curioso à espera do próximo episódio. É também se utilizar de uma direção com pontos conceituais, cortes cinematográficos, além do elenco incrível. Enfim, todo elogio a Breaking Bad é pouco. 

# 1 - Downton Abbey




Ah, os britânicos... Downton Abbey é uma série que talvez não atinja a todos. Mas, não a subestime pela sua sinopse. Tem como ponto inicial o funcionamento de uma casa da aristocracia inglesa do interior, na passagem dos séculos XIX e XX. Parece fútil, não é? Não parece tão intrigante para uma série, não é? Não se engane. 

Downton Abbey me impressionou a cada episódio em que eu notava a preciosidade da direção, de cada corte, figurino, fotografia, elementos estes quase nunca priorizados nos seriados. Afinal, esse gênero de mídia tem como cerne o roteiro que intriga ou faz com que o espectador se apegue, a ponto de esperar ansiosamente por cada episódio. 

Eu facilmente vicio em séries, sou um ótimo público alvo até para as ruins - exceto comédias (falarei disso em um post a parte). Mas, ao assistir Downton, me surpreendi com a qualidade que pode ser dada ao gênero, sem perder seu poder de intrigar, de apegar, de surpreender. Você se apega a cada personagem, de modo a sofrer com seus muitos dramas como se fossem seus. É uma série completa, em seu aspecto técnico, no elenco, no visual, na trilha sonora e no roteiro.

Não posso deixar de citar a linda da Meg Smith (Harry Potter), que brilha como nunca! Enfim, assistam e se encantem. 


Só pra deixar registrado, tenho séries que há muito estão no meu coração e pra sempre estarão (House, Dexter e Prision Break). Não as citei, pois queria um post com maiores novidades, bem como com as últimas surpresas boas que tive com esse gênero. 

To be continued... 


20 fevereiro 2013

Les Miserables (2012)

"Você ouve o que as pessoas cantam? 
Cantando o som dos homens raivosos?
Essa é a música de um povo que não será escravo novamente!"




Victor Hugo fez obra para todas as gerações. Conhecer Os Miseráveis é perceber que os conceitos de justiça pouco mudaram com o passar dos tempos. O escritor, em uma de suas obras mais famosas, denuncia a situação de total miséria existente na França de 1815 a 1832, com uma superpopulação de pobres e marginalizados vivendo à mercê de uns poucos ricos detentores do poder. Nesse momento histórico, ser revolucionário era buscar o fim de um governo absolutista, que persistiu mesmo após a Revolução Francesa. E com escritos que ressaltavam a voz do povo, convocavam à mobilização popular e à revolução, ele fez sua obra, ainda tão presente nos dias atuais. Afinal, não é anacrônica a ideia de um homem passar anos preso por ter roubado um pão para alimentar a família.


Trazer tal obra para as novas gerações de uma forma comprometida não me parece tarefa fácil. Foi o que pretendeu fazer Tom Hooper (O Discurso do Rei). E, após dezenas de outras adaptações para o teatro, TV e cinema, o diretor faz uma versão de Os Miseráveis em musical. E que ganho de quem tem a oportunidade de ver tão rico roteiro nas telas do cinema. O diretor se utiliza bem da modernidade cinematográfica para fazer um épico, com belíssimos figurinos, um ar noturno, que remonta à uma época de pobreza, miséria e batalhas perdidas. Apesar de se utilizar de jovens atores, não perde a seriedade da trama. Mas vale dizer que também optou por dar mais leveza e otimismo a uma história tão trágica e denuncista. Tal leveza não é reprovável, mas demonstrou sua pouca preocupação com o marcante e relevante apego social da obra literária.
                                     




Jean Valjean (Hugh Jackman) está saindo da prisão, para liberdade condicional, após 19 anos se submetendo a trabalhos forçados por ter roubado um pão para dar pra sua irmã (a pena foi aumentada por inúmeras tentativas de fuga). Mas, em seu encalço, ficou o detentor maior da ordem e justiça, o inspetor Javert (Russel Crowe). Ao ser oprimido por todos, por ter o "carimbo" de ex-presidiário, não tem nem mesmo onde dormir. Após tantas andanças, conhece um piedoso bispo, que lhe oferece comida e abrigo. No entanto, tenta roubar as pratarias do senhor que lhe ajudou, e é preso e levado de volta ao religioso, que desmente o crime e diz que foi um presente. Após tal piedade, sua vida muda. Volta à cidade com outro nome, outra aparência, torna-se filantropo e empresário.

Em paralelo, nos é apresentada Fantine (Anne Hathaway), mãe solteira que trabalha para sustentar sua filha Cosette (Amanda Seyfried), após ser abandonada pelo pai da criança. Mas, de forma injusta, é demitida por ter uma filha bastarda e se vê obrigada a se prostituir para conseguir dinheiro para sobreviver e criá-la. Ao saber de tamanha miséria, assim como perceber que Fantine está a beira da morte, Valjean salva a mulher das ruas e lhe promete que cuidará da menina.



Ocorre que o ex-prisioneiro é obrigado a dedicar sua vida a fugir do seu inimigo, o inspetor obcecado em prendê-lo novamente. Simultaneamente à história de Valjean, Victor Hugo retratou a França insurgente, com Marius (Eddie Redmayne), de família nobre, mas que toma um caminho ideológico oposto. E a trama se desenvolve na França das barricadas de 1932, com Valjean enfrentando sua sina, Javert; Marius, lutando pela revolução e, simultaneamente, buscando reencontrar Corsette, por quem se apaixona perdidamente; o motim de 1932 e as trágicas e fatais barricadas da Rua Saint-Denis, dentre diversos outros personagens e enredos secundários que engrandecem a obra, como o de Éponine (Samantha Barks) e o do casal Thenardier (Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter).

O filme traz Hugh Jackman (X-Men) em, com toda certeza, sua melhor atuação, digna de premiação. Também, Anne Hathaway (O Diabo veste Prada) surpreendendo como Fantine, conseguindo transparecer todo o sofrimento e miséria que cabe à personagem. Destaque para I Dream a dream, momento marcante da trama, com sua interpretação que nada deixa a desejar. Mas vale, ainda, falar que Russel Crowe (Uma mente brilhante) decepciona, e muito!, em todo o filme, desde ao cantar com sua voz nada preparada pra um musical desse porte, quanto à total falta de expressão e empatia com os demais personagens. Ah, e pra dar um toque de comédia, vemos os explêndidos Sasha Baron Cohen e Helena Bohan Carter, como o casal Thenardier, esbanjando afinidade e excelentes interpretações.



























Mas não posso deixar de alertar os futuros expectadores: o diretor pesou a mão no musical. É, esse gênero não é pra qualquer um. E longe de duvidar da competência de Hooper, mas, em vários momentos, a trama fica cansativa, devido a cenas cantadas, notadamente desnecessárias (digamos que 99% do filme foi musicado). E penso que isso fez o efeito contrário pretendido pelo diretor, que se utilizou de um elenco notável e hollywoodiano, o que atrairia um público vasto para conferir tamanho épico, afastou parte do seu público, tornando-se um filme voltado, no geral, a quem realmente gosta do gênero e/ou da obra literária.

Esse foi um filme que realmente dividiu opiniões, mas que, apesar de algumas escolhas erradas, possui cenas belíssimas, atuações impecáveis, canções emocionantes, assim como traz às novas gerações uma história fascinante, dotada de teor político e ideológico (pouco explorados na nova adaptação infelizmente) que sobreviveu a séculos e foi eternizada.

O filme foi indicado ao Oscar nas categorias Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Anne Hathaway), Melhor Ator Principal (Hugh Jackman), Melhor Som, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Roteiro Original.

18 fevereiro 2013

O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook)



O que normalmente se espera de um filme, no qual Bradley Cooper (Se beber não case) e Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) são os protagonistas e que, no primeiro ato, apresenta dois personagens que estão passando por sérias crises pessoais, que se encontram, brigam, se apaixonam e ajudam um ao outro a superá-las? Provavelmente que é mais uma comédia romântica amontoada de clichês e previsibilidades.
O mais interessante de assistir O Lado bom da Vida é a surpresa que nos toma no desenrolar da trama, em cada nova sequência, nas quais o galã sai de cena e dá espaço a um homem transtornado, obsessivo e bipolar, advindo de uma interpretação super expressiva e comprometida que justifica bem a indicação ao Oscar de Melhor Ator a Cooper.
Dirigido por David O. Russel (The Fighter), a obra gira em torno de dramas pessoais decorrentes de relacionamentos amorosos que fracassaram, e desemboca em uma sequência bem humorada de encontros e tentativas de superação. Pat (Bradley Cooper) é um homem que, por volta dos seus trinta anos, encontrava-se internado em uma clínica psiquiátrica após ter uma crise agressiva ao flagrar sua esposa (e grande amor) o traindo em sua própria casa.


Após oito meses, volta ao convívio familiar, o qual se percebe de imediato que não é um ambiente nada popício à reabilitação. Neste momento, temos a excelente surpresa de ver Robert De Niro (Taxi Driver, Entrando Numa Fria), interpretando o pai, Sr. Pat Solitano, figura cheia obsessões, manias e demonstrações violentas, as quais, ao mesmo tempo que destacam a total instabilidade daquela família, dão uma dose de comédia, devido aos exageros. Tem lugar, ainda, a Sra. Dolores Solitano (Jacki Weaver), como a figura materna, passiva e esperançosa de que tudo irá voltar aos conformes. 

Ao retomar suas antigas amizades, Pat conhece Tiffany (Jennifer Lawrence), uma garota que perdeu o marido de forma trágica e tem sérias dificuldades em superar tal fato, descontando seu desequilíbrio em sexo descompromissado e mudanças repentinas de humor. Vale destacar que a primeira demonstração de empatia entre o casal é em uma conversa bem humorada sobre os diferentes remédios psiquiátricos aos quais se submeteram, com a descrição dos seus respectivos efeitos.

Em um segundo momento, Tiffany, dotada de forte personalidade e certa agressividade, tem a iniciativa de se aproximar do rapaz, que a repele sob justificativa de que é casado e de que irá reconquistar sua esposa. Após insistentes perseguições, calorosas brigas e diálogos explosivos, ambos decidem se ajudar a superar o que tanto os consome e o que os exclui do convívio social.


David O. Russel decidiu por utilizar um drama pessoal de forma brilhante (seu filho sofre de transtorno bipolar), apresentando ao expectador as dificuldades de uma família em conviver com um filho que, há qualquer momento, pode ter atitudes destruidoras. Demonstra, ainda, o desafio que é para esse indivíduo se ressocializar, pois, às vistas da sociedade, ele é um doente agressor. Mas na verdade, o personagem sofre com a obsessão por uma mulher, que não mais o deseja e que o teme, e faz disso um amor platônico e infantil. Nesse meio tempo, Tiffany, igualmente transtornada, aparece na trama para mostrar que conhece e admite os próprios desequilíbrios e que podem supera-los juntos.

O diretor abusa de diálogos espetaculares, nos quais utiliza do artifício do campo/contracampo, assim como o de focos nos personagens, que, atrelados a interpretações elogiáveis, dão velocidade à cena, com um ritmo incessante, proporcionando a quem assiste a sensação de euforia, beirando a falta de ar. Muitas vezes se sente a dificuldade de acompanhar o desenrolar dos fatos, o que não compromete o entendimento, mas, apenas, aproxima o expectador do ambiente de crise. Vale lembrar, ainda, da utilização da câmera em movimento, com zooms repentinos em gestos e expressões que denotam à ansiedade e o desequilíbrio dos personagens, em especial em Pat e em seu pai.


O Lado bom da vida (vítima das péssimas adaptações de títulos, diga-se de passagem), portanto, tem como plano principal dramas pessoais, passionais e familiares, apresentados com humor na medida certa e atuações marcantes. Foi responsável, ainda, pelo retorno de Robert De Niro, que há um tempo não acerta em suas escolhas cinematográficas – vide sua interminável parceria com Bem Stiller -, agora em uma comédia romântica bem trabalhada, roubando a cena em praticamente todas as suas aparições.

Não se pode negar os vários clichês da trama, desde frases de efeito e idas e vindas amorosas à um número de dança como clímax da história. Também não posso deixar de falar que o final deixa a desejar, não estando à altura da trama original que se constrói. No entanto, o conjunto da obra traz uma abordagem interessante, com profundidade nos momentos de drama, sacadas inteligentes ao fazer comédia e personagens que fogem do padrão desse gênero, muitas vezes previsível. É um filme intrigante, com atuações excelentes, uma trilha sonora que encaixa perfeitamente em cada circunstância (destaque pra Led Zeppelin tocando em um dos momentos de fúria do protagonista) e usos de câmeras que marcam o ritmo veloz da história, o que denota uma direção exemplar.

O filme foi indicado a 8 Oscars nas categorias: Melhor FilmeMelhor ator (Bradley Cooper), Melhor atriz (Jennifer Lawrence), Melhor ator coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Atriz coadjuvante (Jacki Weaver), Melhor Diretor (David O. Russel), Melhor Roteiro Adaptado (David O. Russel) e Melhor montagem.  
  

17 fevereiro 2013

"D-J-A-N-G-O. O D é mudo."



E finalmente estou aqui falando, já completamente passional, de Tarantino. Não só isso! É da sua volta às telas de cinema. E como eu já falei em outras oportunidades no blog (e pretendo melhor expor isso em, quem sabe, uma série Tarantino), Quentin é meu preferido. Mas hoje vim aqui pra falar de Django Livre!

Quem conhece seu histórico, sabe que o diretor tem características super marcantes e que quebrou um pouco dessa linha com Bastardos Inglórios. É um filme genial, com diversos toques tarantinescos e atuações excelentes. Mas se percebe facilmente que foi uma ruptura de estilo, pois é dotado de mais preocupação técnica, cortes estratégicos, ambientes realistas, um ar de seriedade e diálogos mais específicos. Bom, estou falando disso porque notei que em Django, ao mesmo tempo que, em comum a Bastardos, é um roteiro que expõe um momento histórico de massacre e preconceito, dotado de críticas ferrenhas, bem como conta uma história de "caça" e vingança, também é composto pelas tão constantes referências e influências que o diretor, de forma original, sempre inclui em suas obras (e que ficaram de molho desde Kill Bill e Death Proof).



O filme se inicia em 1858, dois anos antes da Guerra Civil dos Estados Unidos, em um ambiente escravocrata, segregador e racista do sul norte-americano. Dr. Schutz (Chritoph Waltz), um ex dentista alemão caçador de recompensas está à procura de um escravo chamado Django (Jammie Fox), que conhece três fugitivos oficiais os quais ele quer capturar, matar e trocar por recompensa. Nas suas andanças, encontra o negro acorrentado a outros escravos, que serão vendidos por comerciantes sulistas. Já nessa primeira cena, o diretor dá aquele gostinho bom aos seus admiradores e conhecedores de sua obra, com muito sarcasmo e, principalmente, tiros e jorradas de sangue inexplicáveis.


Ao juntar-se com Dr. Schutz, um branco inconformado com o tratamento animalesco dado aos negros naquela região, Django é liberto e toma gosto pela ocupação do alemão: matar bandidos por dinheiro. Além disso, ele tem um propósito: achar sua esposa, Broomhilda, que foi vendida a uma das maiores fazendas do sul. Ao chegar nas ricas terras do jovem Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), Django faz o papel de comprador de negros e companheiro de Schultz, para ludibriar o não tão inteligente senhor de escravos, mas que não perde a pose, tentando aparentar conhecedor e culto. No entanto, não contavam com a mente por trás de Calvin, Stephen (Samuel L. Jackson), um negro perspicaz e bajulador, com total influência na casa grande. E entre tiros, sangue e muito sarcasmo se faz o ato heroico de Django.


esse sangue não é tarantinesco hein gente, é do próprio DiCaprio rs

Django Livre é um balde cheio de ironia, no qual Tarantino retratou uma sociedade extremamente segregadora, onde os negros eram comercializados nas feiras e tratados como animais domésticos. Destaque para uma das falas de Stephen, um negro racista, que remete à continuidade dessa segregação nos tempos, com a exploração das próximas gerações. E que personagem genial esse, com uma atuação impecável de L. Jackson. Já  Waltz vem incrível, admirável e digno de aplausos como o libertador e caçador de recompensas, mas não dá pra deixar de mencionar que é um retrato idêntico, mas ideologicamente às avessas, do espetacular Landa, de Bastardos. DiCaprio, com seu primeiro vilão, cumpriu o seu papel e foi bem encaixado naquela figura do mimado e sádico senhor de escravos, que se delicia ao ver dois negros se matando da forma mais cruel. 

Em sua nova obra, Tarantino tem toda a liberdade para explorar sua conhecida violência, que nem tanto causa ojeriza, mas muitas vezes faz rir, devido aos jatos de sangue e tiros enormes e inesperados, o que demonstra que, mesmo estando em uma fase bem mais madura, não deixa suas influências do trash pra trás. Aliás, verossimilhança nunca foi grande preocupação sua (vide Kill Bill). Utilizou bastante do seu tão conhecido zoom in com a câmera, ao apresentar personagens importantes (o Candie, por exemplo), o que fez lembrar tanto do seu histórico cinematográfico. Ainda, homenageou os velhos westerns spaghettis, que tanto admira e onde muito se inspira. E quanto bom humor! (brinca até com a Klu Klux Kan!). Destaque pra sua referência ao criador do personagem Django dos anos 60, Franco Nero, que aparece no filme em um diálogo super inteligente com Foxx, no qual este explica a pronúncia do seu nome, já tão conhecida pelo velho ator de westerns. Por fim, menciono a trilha sonora, escolhida brilhantemente, incluindo até rap no meio do velho oeste.


Foxx e Franco Nero

Confesso que, como nem tudo pode ser perfeito (nem o mestre!), senti muita falta de uma mulher "tarantinesca", forte, destemida, corajosa e violenta, tão presente na maior parte da obra do diretor. A mulher mais central da trama, Broomhilda, tem um papel de mera princesa trancada num castelo, à espera do seu príncipe negro.  

Mas, fora isso, Django veio pra mostrar o quanto Tarantino ainda pode criar e fazer seus fãs se arrepiarem e vibrarem nas cadeiras dos cinemas, com suas tão conhecidas referências, mas sempre originais e cheias de sarcasmo, violência gratuita e bom humor. 

Django Unchained foi indicado a cinco Oscars, sendo eles Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original, Melhor Edição de Som e Melhor Fotografia.



16 dezembro 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada.




Eis que finalmente estreou, em 14 de dezembro de 2012, O Hobbit - Uma Jornada Inesperada. Adaptação de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, As Aventuras de Tim Tim) para o livro homônimo de J.R.R. Tolkien, que gira em torno das primeiras aventuras de Bilbo Bolseiro, junto a Gandalf, na Terra Média. A história mostra um Bilbo jovem, que decide sair do conforto do condado para se aventurar junto ao mago e a um grupo de anões, liderados pelo Rei Thorin, que estão obstinados a reconquistar a Montanha Solitária, reino dominado pelo tenebroso dragão Smaug. Mas, para isso, o grupo precisa atravessar por vários pontos da lendária Terra Média e enfrentar orcs, trolls, passar pelo reino dos Elfos, bem como lidar com as diversas criaturas sombrias que surgem, em tempos escuros, sobre a florestas dantes verdes e claras.

Então, como disse, assisti ao filme na sua primeira sessão em Fortaleza, em meio a inúmeros outros fãs assíduos de Peter Jackson, Tolkien e suas sagas épicas. E vai parecer um pouco passional demais o meu texto, mas confesso que não vi motivos para tantas críticas negativas à obra. Não é perfeito. Não é melhor do que O Senhor dos Anéis. Então, vamos às impressões.



A experiência de O Hobbit é mágica para quem acompanha e se interessa pelos escritos de Tolkien. É uma sequência de imagens arrepiantes, fidedignas à obra original, e aos saudosistas, órfãos de Lord of the Rings, é um retorno maestral àquelas terras aventureiras. O Hobbit funciona como um prólogo à famosa trilogia e mostra mais detalhadamente os diversos reinos, bem como se iniciou a saga da família Bolseiro. Mostra, ainda, que tal aventura de Bilbo junto a Gandalf mudaria o destino daquele mundo.

Nos deixa clara a transição de tempos tranquilos dos diferentes mundos à época em que a escuridão e o perigo se instalou sobre a Terra Média. Outras criaturas aparecem, como o estranho e desastrado Radagast, o castanho, um dos quatro magos remanescentes. Preciso pontuar aqui que gostei muito do personagem, em desacordo com várias críticas negativas ao mesmo. É divertido, além de que sua ligação com a natureza o torna simpático. O filme passeia, ainda, por uma época em que Saruman ainda se mostrava próximo (não posso dizer amigo e sensato, pois já havia uma aura negra sobre o personagem).

O que mais penso, e não sei se isso foi o objetivo real de Jackson (acho que não), mas O Hobbit tornou-se um filme para fãs e admiradores do universo de Tolkien, bem como da primeira trilogia do diretor. Talvez não seja um filme que vá envolver quem já não tem uma certa familiariedade com aquele mundo, com as criaturas, com as aventuras. Não é um grande entretenimento a quem escolhe assisti-lo aleatoriamente. É a conversão fiel do universo do livro e seus detalhes, seus perigos, suas belezas em imagens extremamente bem feitas.

Não posso deixar de falar aqui da interpretação sempre fantástica de Sir Ian McKellen, em um Gandalf mais virtuoso, mais simpático e tranquilo. Além do momento épico de entrada de Gollum (ah! amei essa parte, amei!).

Sou foda. 1bj.


Mas Peter Jackson peca pelo exagero.

Ao buscar tanta realidade, acaba fazendo um filme com sequências meio bagunçadas, demonstrando uma certa ansiedade em passar tudo o possível ao espectador. Ainda, exagera, e muito!, ao decidir fazer uma trilogia de um livro com aproximadamente 350 páginas, no qual o primeiro filme dura cerca de 3 horas! E, ao assistir, se nota extremamente desnecessário alongar tanto uma saga não tão longa, deixando-a, em certos momentos, cansativa.

Peca no exagero também ao tentar embelezar demais a trama, com sua trilha sonora. É uma bela trilha, mas não tão envolvente e, em muitos momentos, deslocada. Chega a incomodar a incessante música alegre que, ao mudar para uma cena sombria (lembra das sequências bagunçadas?), também muda bruscamente para sons externos mais pesados.

No entanto, que realmente me incomodou nisso tudo foi que, na oportunidade de esquentar a trama, o diretor decidiu por batalhas meio mornas.



Por tudo isso, as coisas boas e ruins, que acredito que tornou-se (premeditadamente ou não) um filme pra admiradores da mitoligia de Tolkien, das terras ermas, verdes, sombrias e montanhosas que abrigam das mais diferentes e mágicas criaturas, aventuras e perigos. E não digo isso porque acho que os fãs não verão os defeitos. Sim, os defeitos existem e são notáveis. E todos nós, admiradores, nos incomodamos. Mas, com certeza, toda a proximidade a esse universo que O Hobbit tanto nos proporciona fará valer a pena cada minuto desse longo filme.

14 dezembro 2012

Promessas de Ano Novo, O Hobbit, Django Livre, Golden Globe, Paul toca Nirvana e uns mimimis



Oi?!
É, aquele oi meio desconsertado que se dá quando você sabe que fez promessas que não cumpriu. Quem acompanha o Sophie (alguém ainda vem aqui?) sabe que há uns dois ou três anos eu venho prometendo, em todos os meses de dezembro, a estar presente, de verdade mesmo, aqui no blog. E sabe também que isso não acontece. Dura, no máximo, até o Oscar. E nesse ano não podia ser diferente!

Estou aqui prometendo voltar.
Não só ao blog, mas aos meus filmes, às minhas músicas, aos meus escritos.

E nessa postagem meio que introdutória, vou dar uma dica do que vai passar por aqui nos próximos dias :)


  • E ontem/hoje, dia 13/14, rolou a pré-estreia do tão esperado O Hobbit, sessão de 00:01hs e eu fui.  Confesso que, apesar da cinefilia que me toma, pré-estreias em quase nada me atraem. Há um grande lado bom: estar no cinema com pessoas que você sabe que gostam daquilo de verdade, e sabem do que se trata aquela sessão, aquelas imagens, aquela história. Isso é bom. Mas, as esperas, as bagunças, as palmas e barulhos fora de hora não me são tão atrativos. No mais, falarei em breve das impressões quanto ao filme em postagem própria. Ele merece. 


#FiladoHobbit



  • Django Livre. Acho que só preciso dizer isso por enquanto. Teremos muito, e muito e muito mais de Tarantino até lá! Aguardem! 
programinha de Natal
Um martelo na mão do vilão em um filme do Tarantino. Apenax.



  • E ontem saiu a lista de indicados para o Globo de Ouro. Ainda tô por fora dos filmes, precisando me atualizar urgente! Mas, entre os nomes, dá pra brilhar os olhos ao ver Quentin, Os Miseráveis, Hugh Jackman, Frankenweenie. E ficar com uma cara de PORQUE? de não ver Nolan por lá.

          Por enquanto é isso, deixar vocês com a apresentação, que rolou no 121212 (concerto beneficente para as vítimas do furacão Sandy), vibrante demaaaais do Macca com Pat Smear, Krist Novoselic e Dave Grohl, ex-integrantes do Nirvana.



Não consigo parar de assistir!!!!

03 março 2012

Stop this shit, or you're going straight to hell

"Hell? This is hell. Right Here!"


"Quantas vidas vivemos? Quantas vezes morremos?
Dizem que todos nos perdemos 21 gramas no momento exato de nossa morte. Todos.
Quanto cabe em 21 gramas? Quanto é perdido? Quando perdemos em 21 gramas?
Quanto se vai com eles? Quanto é ganho? Quanto é ganho? 21 gramas.
O peso de cinco moedas de cinco centavos, o peso de um beija-flor.
Uma barra de chocolate
Quanto pesam 21 gramas?" 





21 gramas 
Direção: Alejandro González Iñarritu. 
Elenco: Naomi Watts, Benício del Toro, Sean Penn.
Drama - 2003.


Uma das mais incríveis obras de arte da história do drama. Faz parte da trilogia de Iñarritu, junto com Amores Brutos (2000) e Babel (2006).

Veja AQUI mais sobre 21 Gramas, no Sophie