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16 dezembro 2012

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada.




Eis que finalmente estreou, em 14 de dezembro de 2012, O Hobbit - Uma Jornada Inesperada. Adaptação de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis, As Aventuras de Tim Tim) para o livro homônimo de J.R.R. Tolkien, que gira em torno das primeiras aventuras de Bilbo Bolseiro, junto a Gandalf, na Terra Média. A história mostra um Bilbo jovem, que decide sair do conforto do condado para se aventurar junto ao mago e a um grupo de anões, liderados pelo Rei Thorin, que estão obstinados a reconquistar a Montanha Solitária, reino dominado pelo tenebroso dragão Smaug. Mas, para isso, o grupo precisa atravessar por vários pontos da lendária Terra Média e enfrentar orcs, trolls, passar pelo reino dos Elfos, bem como lidar com as diversas criaturas sombrias que surgem, em tempos escuros, sobre a florestas dantes verdes e claras.

Então, como disse, assisti ao filme na sua primeira sessão em Fortaleza, em meio a inúmeros outros fãs assíduos de Peter Jackson, Tolkien e suas sagas épicas. E vai parecer um pouco passional demais o meu texto, mas confesso que não vi motivos para tantas críticas negativas à obra. Não é perfeito. Não é melhor do que O Senhor dos Anéis. Então, vamos às impressões.



A experiência de O Hobbit é mágica para quem acompanha e se interessa pelos escritos de Tolkien. É uma sequência de imagens arrepiantes, fidedignas à obra original, e aos saudosistas, órfãos de Lord of the Rings, é um retorno maestral àquelas terras aventureiras. O Hobbit funciona como um prólogo à famosa trilogia e mostra mais detalhadamente os diversos reinos, bem como se iniciou a saga da família Bolseiro. Mostra, ainda, que tal aventura de Bilbo junto a Gandalf mudaria o destino daquele mundo.

Nos deixa clara a transição de tempos tranquilos dos diferentes mundos à época em que a escuridão e o perigo se instalou sobre a Terra Média. Outras criaturas aparecem, como o estranho e desastrado Radagast, o castanho, um dos quatro magos remanescentes. Preciso pontuar aqui que gostei muito do personagem, em desacordo com várias críticas negativas ao mesmo. É divertido, além de que sua ligação com a natureza o torna simpático. O filme passeia, ainda, por uma época em que Saruman ainda se mostrava próximo (não posso dizer amigo e sensato, pois já havia uma aura negra sobre o personagem).

O que mais penso, e não sei se isso foi o objetivo real de Jackson (acho que não), mas O Hobbit tornou-se um filme para fãs e admiradores do universo de Tolkien, bem como da primeira trilogia do diretor. Talvez não seja um filme que vá envolver quem já não tem uma certa familiariedade com aquele mundo, com as criaturas, com as aventuras. Não é um grande entretenimento a quem escolhe assisti-lo aleatoriamente. É a conversão fiel do universo do livro e seus detalhes, seus perigos, suas belezas em imagens extremamente bem feitas.

Não posso deixar de falar aqui da interpretação sempre fantástica de Sir Ian McKellen, em um Gandalf mais virtuoso, mais simpático e tranquilo. Além do momento épico de entrada de Gollum (ah! amei essa parte, amei!).

Sou foda. 1bj.


Mas Peter Jackson peca pelo exagero.

Ao buscar tanta realidade, acaba fazendo um filme com sequências meio bagunçadas, demonstrando uma certa ansiedade em passar tudo o possível ao espectador. Ainda, exagera, e muito!, ao decidir fazer uma trilogia de um livro com aproximadamente 350 páginas, no qual o primeiro filme dura cerca de 3 horas! E, ao assistir, se nota extremamente desnecessário alongar tanto uma saga não tão longa, deixando-a, em certos momentos, cansativa.

Peca no exagero também ao tentar embelezar demais a trama, com sua trilha sonora. É uma bela trilha, mas não tão envolvente e, em muitos momentos, deslocada. Chega a incomodar a incessante música alegre que, ao mudar para uma cena sombria (lembra das sequências bagunçadas?), também muda bruscamente para sons externos mais pesados.

No entanto, que realmente me incomodou nisso tudo foi que, na oportunidade de esquentar a trama, o diretor decidiu por batalhas meio mornas.



Por tudo isso, as coisas boas e ruins, que acredito que tornou-se (premeditadamente ou não) um filme pra admiradores da mitoligia de Tolkien, das terras ermas, verdes, sombrias e montanhosas que abrigam das mais diferentes e mágicas criaturas, aventuras e perigos. E não digo isso porque acho que os fãs não verão os defeitos. Sim, os defeitos existem e são notáveis. E todos nós, admiradores, nos incomodamos. Mas, com certeza, toda a proximidade a esse universo que O Hobbit tanto nos proporciona fará valer a pena cada minuto desse longo filme.