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26 fevereiro 2012
Oscar 2012 e A invenção de Hugo Cabret
Hugo é um garoto que vive na Paris dos anos 30 e aprendeu a consertar todos os tipos de relógios com pai (interpretado por Jude Law). Porém, devido a uma tragédia, ficou sozinho e passou a morar na estação de trem, onde se esconde para não ser mandado pro orfanato. Passava a vida dando corda nos relógios da estação, consertando coisas e, principalmente, tentando consertar uma máquina que seu pai deixara inacabado: um autômato, uma espécie de robô antigo, que necessita de uma chave específica para seu funcionamento. Isso é bem importante, pois Hugo acredita que seu pai deixou uma mensagem no autômato. Porém, o seu caderno que o auxiliava foi tomado por um homem que tinha uma loja de consertos. Desesperado, Hugo conta com a ajuda de Isabelle (Cloe Moretz), afilhada do homem, para conseguir seu caderno, mas descobre que há muito mais nessa história toda.
A invenção de Hugo Cabret ganhou meu coração, pra sempre. No Oscar (que começa já já), minha razão tá com O Artista, mas meu coração é todo de Hugo. Na verdade, esse filme é uma grande ode à história do cinema, no qual usa de uma ficção brilhante atrelada a um personagem que realmente existiu: George Meliés, um dos pioneiros no cinema, e primeiro a usar efeitos especiais. Meliès queria fazer do cinema um sonho, ousou, e se tornou um dos nomes mais importantes da história da Sétima Arte. O filme é a homenagem mais completa, sensível e original ao cinema dos últimos tempos (com mérito também ao livro, que se tornou minha prioridade máxima na lista de "Quero ler").
Além de tudo, Scorsese você merece ser admirado por esse filme. Assim, tenho algumas ressalvas com o Scorsese, depois posso postar sobre explicando o porquê. E na verdade, são muitas ressalvas, mas só com sua obra pós anos 90. Mas eu o admiro, muito, muito mesmo, pelo 3D incrível feito no filme, sem largar em momento algum a adaptação, as imagens, a técnica, muitas vezes hoje deixada de lado em prol dos efeitos.
E NO MAIS GALERA OSCAR AGORA VAMOS!
Olhem, STREAMING do Red Carpet AQUI!
Link pra transmissão do Oscar na TNT BRASIL a partir das 21hs AQUI.
E LIVEBLOGGIN NO OUTRO BLOG GALERA!!! VÃO AO Verborragia e participem!
Enfim, esse post foi feito meio nas pressas, não poderia deixar passar sem falar do meu favorito.
And the Oscar goes to...
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23 fevereiro 2012
O Artista
O Artista (The Artist) é um filme mudo e em preto e branco, produção francesa e americana de 2011, que conta a história de George Valentin, um grande astro dos filmes mudos nos anos 20, em Hollywood, que se vê em crise após o advento do filme falado. Sua crise é ainda maior porque ele é esquecido, já considerado o passado hollywoodiano, e em seu lugar fica a grande estrela Peppy Miller, atriz que iniciou sua carreira como figurante nos filmes de Valentin e com quem já havia flertado. Após a grande depressão, sua condição financeira piora, sua esposa o deixa e ele passa a vida em bebidas com a companhia de seu fiel motorista e seu cão. Peppy, em seu auge, se torna a vanguarda do cinema, mas nunca esqueceu George, por quem nutre uma paixão e se sente culpada pela situação. Após um acontecimento trágico, eles se reencontram e, entre dramas e comédias, tentam uma reconciliação.
O filme é de uma beleza estonteante. Assisti-lo no cinema foi, pra mim, amante da sétima arte, um presente. Estar em uma sala escura com um filme preto e branco e mudo diante dos meus olhos foi como ter entrado em um túnel de tempo com aqueles projetores a manivela, que passavam quadro a quadro. É fantástico. Mas além disso, não é assistir qualquer filme. É assistir a uma verdadeira obra de arte.
O diretor, Michel Hanazavicius, foi ousado e quis trazer em seu trabalho uma verdadeira homenagem a tudo o que mais lhe inspirava, o ínicio da história do cinema. E fez de forma singela, trazendo em si um roteiro já muitíssimo abordado que é o da evolução cinematográfica e as crises que tal mudança gera nas estrelas da época (vide Crepúsculo dos deuses, o mais famoso filme sobre o assunto, indicado ao Oscar em 1950), sendo, pois, metalinguístico (estilo muito querido dos cineastas mais antigos). Porém, ao escolher ser ousado e fazê-lo nos moldes originais de tais filmes, mudo - com legendas em quadros- e preto e branco (com muito sucesso, diga-se de passagem), deixou de ser "batido" pra ser uma belíssima homenagem às origens do cinema.
Tem no elenco Jean Dujardin, que consegue apreender todo o estilo de atuação dramático e exagerado dos artistas da época, e Bérénice Bejo, sem contar no Jack Russel lindo que os acompanha em toda a trama. Ah, e pra dar certo como deu, a trilha sonora é fascinante!
O Artista levou Melhor Filme - comédia ou musical, Melhor Direção, Melhor ator - comédia ou musical, Melhor atriz coadjuvante, Melhor Roteiro de filme e Melhor Trilha sonora no Globo de Ouro 2012;
Foi indicado a 10 Oscars, entre eles Melhor Diretor, Melhor Filme e Melhor Ator.
Vale a pena demais a experiência.
P.S 1: Se você quiser conhecer um dos mais aclamados filmes do estilo, indico Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses).
P.S 2: Se você quiser assistir um dos filmes mais lindos que vi na vida e que falam de cinema, indico demais o italiano Cinema Paradiso.
- No outro blog que escrevo comentei sobre indicados a categorias mais secundárias do Oscar 2012 (A Dama de Ferro, Os Homens que não amavam as mulheres e Rango), dêem uma olhada ;) > Verborragia
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16 fevereiro 2012
The Descendents
Tal obra é, ao meu ver, muito subestimada, talvez pelo ator principal, apesar de estar sempre em vista, poucas vezes tem atuações muito elogiáveis, ou até diferentes uma das outras; talvez também pela sinopse simples, meio batida e até previsível. Acontece que eu me surpreendi muito com o filme. É muito bom, um típico drama familiar (que o Oscar adora, diga-se de passagem) e grande parte desse mérito vem da atuação inovadora de George Clooney, que assume seus cabelos brancos e sua barriga nem tão tanquinho assim, deixa de lado os olhares sedutores e se veste de pai nunca presente que não sabe o que fazer, não sabe o que decidir, nem como agir. Pede ajuda a sua filha mais velha, Alex (Shailene Woodley - excelente!!!) a criar a filha menor, que, notavelmente, não vem sendo tão acompanhada em sua educação.
Alex, inicialmente, se revela hostil, tendo dificuldades de absorver a morte da mãe, pois não tinham uma relação nada amigável e, na época do acidente, estavam brigadas pois a filha descobrira que a mãe traía seu pai.
A partir dessa revelação, a relação entre pai e filha se estreita, Alex fica mais amigável e passam, juntos, a suportar os problemas que vêem pela frente, além de, também juntos, irem em busca do homem com quem a esposa o traía para tirar satisfações e avisá-lo de sua atual situação. O enredo vai se desenvolvendo nessa busca e nesse tempo entre o desligamento dos aparelhos e a morte de Elizabeth.
O filme é bem dirigido, com ótima fotografia, excelentes atuações, bonitas paisagens e uma trilha sonora muito contagiante (nossa, sério gente, muito boas as músicas!). É um drama comedido, sem exageros, até com umas passagens de comédias. Um filme que te deixa meio triste, mas que também te faz sorrir. É uma obra simples, nada grandioso, mas que ganhou meu respeito pela qualidade.
Foi indicado ao Oscar 2012 por: Melhor filme, melhor diretor (Alexander Payne), melhor ator (George Clooney), melhor roteiro adaptado e melhor edição.
Ganhou o Globo de Ouro 2012 em Melhor filme dramático e melhor ator (George Clooney).
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05 fevereiro 2012
We need to talk about Kevin
Eva Khatchadourian, interpretada por Tilda Swinton (As crônicas de Nárnia, O Curioso Caso de Benjamin Button), é uma mulher que segue atormentada por lembranças confusas e dolorosas de um passado não tão distante. Casada com Franklin, feito por John C. Reilly (Chicago, Magnolia), teve seu primeiro filho, Kevin, o qual é ponto central dessas recordações. Desde bebê, mostrava aversão à mãe, chorava sempre em seus braços, calando-se ao ir pros braços do pai; por volta dos 3 anos se negava a brincar com a mãe, demonstrando total apatia às tentativas de Eva de agradá-lo; já maior, fazia tudo para deixá-la mal e transparecer o ódio que sentia a tudo que ela fazia. Tinha, de fato, talento para dissimulação, pois na frente do pai, era um garoto normal, carinhoso, atencioso, o que fez Franklin ser averso às vezes que Eva tentou dizer-lhe o que o menino fazia, como agia. Depois de um tempo, Eva engravidou novamente, de Celia, o que tornou a convivência entre mãe e filho ainda mais hostil.
A história se segue por flashbacks, mostrando o ambiente familiar e o crescimento de Kevin, voltando pro tempo presente, onde Eva tenta sobreviver diante de pessoas que a ridicularizam e a atacam por algo que ocorreu, uma tragédia, mostrada por lembranças confusas que a tornam uma mulher depressiva e decadente.
Esse é um dos meus grandes recalques do Oscar: sim, Precisamos falar sobre Kevin, ao meu ver, merecia muito estar entre os indicados. E mais ainda, Tilda Swinton merece mais do que um Oscar por tal atuação, com toda a dramaticidade da personagem, a densidade emocional e psicológica que ela teve que doar para construir essa mãe e mulher tão atormentada, mas que não desiste. Me é perturbadora a cena em que a mãe sorri, emocionada, em um momento único de ternura do filho com ela, e outra em que a diretora faz um jogo de imagens, mostrando a semelhando de um com o outro, trocando, em uma mesma ação, o filho pela mãe. É como uma dependência. Ambos dependiam dessa relação.
Podemos dizer que a obra é um drama envolvido por um grande suspense, com a questão final até meio previsível. É notável que a imprevisibilidade não é um dos grandes objetivos, o que importa é o teor psicológico, o quanto você se impressiona com o desenrolar dos fatos, o quanto você pára e se questiona o porquê de tudo. E o quanto previsível é o fim quando você resolve pensar sobre todo o crescimento da trama, cada passo do personagem principal, cada gesto, cada ação. E isso é envolvente e até um pouco torturante.
O filme é uma adaptação feita por Lynne Ramsey do romance homônimo de Lionel Shriver.
Sim, é uma história forte. Eu mesma me questionei se sou capaz de ser mãe, algo lindo, mas muitas vezes, tão atribulado. Kevin é interpretado Ezra Miller, adolescente; Jasper Newel, aos seis anos e Rocky Duer quando criança (por volta dos 3 anos). São, as três, atuações excelentes, que tornam o filme ainda mais impressionante.
Indicado ai BAFTA, Palma de Ouro, Globo de Ouro.
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27 janeiro 2012
Beginners.
Então pessoal, passou Globo de Ouro, o Oscar ta aí batendo na porta (26 de fevereiro) e eu tô super no clima. Aquele clima de revolta anual por filmes incríveis terem sido desprezados sem dó, ou aquele clima de Ah que lindo meu favorito foi indicado e vai perder! e aquela vontade de ver os ocorridos épicos de todos os anos na noite principal. Então, nessa semana saíram os indicados (veja-os aqui e também minhas apostas) e eu não poderia deixar passar em branco... vou fazer meio que uma série de posts de indicados pro Oscar que eu for assistindo, e, pra não deixar o recalque de lado, os que estão fazendo falta por lá. E hoje eu começo com Beginners.
Os flashbacks vão mostrando o estreitamento da relação de pai e filho, com Oliver entendendo que seu pai sempre foi gay, que passou sua vida tentando manter um casamento e que agora queria, finalmente, ser feliz. E era. No tempo presente do filme, Oliver conhece Anna, interpretada pela linda da Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios) e se apaixona.
O filme vai mesclando passado e presente, mostrando a relação de amor de Hal e seu namorado Andy, suas relações com o movimento LGBT, o amor que cresceu entre ele e seu filho, e, de uma forma bem casual e leve, fala sobre tolerância. Ao mesmo tempo vai-se construindo a história de amor de Oliver e Anna.
Há um tempo eu venho percebendo essa nova fase das comédias românticas. Elas vêm com histórias mais originais, com sensibilidade, beleza e menos previsíveis, menos iguais. Beginners (Toda forma de Amor) veio com essa boa fase do gênero. Possui um drama leve, mas que toca, que sensibiliza, com um romantismo comedido, banhado de cenas que nos fazem sorrir.
P.S corram pra fazer downloads viu, que não tá fácil :(. Busquem por torrents!
Às vezes eu penso que as pessoas deviam sentir mais os filmes, viver mais os filmes. Quando assisto um filme que me interessa, procuro aproveitar cada sensação, cada riso, cada lágrima, cada ação, cada som e absorvê-los, e digeri-los. Falo isso porque em Beginners eu queria que todos sentissem as sutilezas sentimentais que esse drama fantasiado de comédia romântica nos proporciona.
Vou começar essa série de posts falando sobre um filme que está minimamente na premiação, com Christopher Plummer (O Mundo imaginário do Doutor Parnassus, Uma mente Brilhante) indicado a melhor ator coadjuvante (ganhou o Globo de Ouro 2012 na mesma categoria).
O filme mostra Ewan McGregor como Oliver (Moulin Rouge, Star Wars I, II, III e lindo), um homem solitário que tem como único companheiro seu cão Arthur, após a morte recente do seu pai, Hal, de câncer. A história vai se construindo a partir de flashbacks que ligam a infância de Oliver, relembrando sua mãe (que também morrera de câncer) a qual suprira a ausência do pai, aos últimos anos de vida de Hal, nos quais pai e filho se tornaram próximos, confidentes, amigos. Isso se deu por Hal admitir a seu filho, após a morte da esposa, que era gay e que estava disposto a aproveitar essa nova fase.
Arthur lindo merece um Oscar também.
Os flashbacks vão mostrando o estreitamento da relação de pai e filho, com Oliver entendendo que seu pai sempre foi gay, que passou sua vida tentando manter um casamento e que agora queria, finalmente, ser feliz. E era. No tempo presente do filme, Oliver conhece Anna, interpretada pela linda da Mélanie Laurent (Bastardos Inglórios) e se apaixona.
O filme vai mesclando passado e presente, mostrando a relação de amor de Hal e seu namorado Andy, suas relações com o movimento LGBT, o amor que cresceu entre ele e seu filho, e, de uma forma bem casual e leve, fala sobre tolerância. Ao mesmo tempo vai-se construindo a história de amor de Oliver e Anna.
Há um tempo eu venho percebendo essa nova fase das comédias românticas. Elas vêm com histórias mais originais, com sensibilidade, beleza e menos previsíveis, menos iguais. Beginners (Toda forma de Amor) veio com essa boa fase do gênero. Possui um drama leve, mas que toca, que sensibiliza, com um romantismo comedido, banhado de cenas que nos fazem sorrir.
Official Trailler
A forma mais verdadeira de falar sobre esse filme é dizendo: é lindo. Assistam!
Ah, só pra frizar, a atuação do Plummer tá excelente e o filme tem uma trilha sonora lindinha :). P.S corram pra fazer downloads viu, que não tá fácil :(. Busquem por torrents!
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